CAMPO ABERTO – Faltou água para garantir projeção de supersafra no RS

O Rio Grande do Sul não deverá mais colher uma supersafra de grãos de verão. Pelo menos essa é a indicação trazida pelo relatório oficial de perdas apresentado ontem pela Secretaria da Agricultura no Palácio Piratini. No volume total, a redução na colheita é estimada em percentual inferior a dois dígitos, segundo o secretário em exercício Luiz Fernando Rodriguez Júnior:

– Hoje, números de perdas totais ficaram em menos de dois dígitos. Isso tende a variar ao longo da semana e dos próximos 15 dias. A umidade do solo poderá mitigar prejuízos.

A avaliação de que os danos possam ser minimizados vem principalmente da possibilidade de recuperação da soja com o retorno da chuva. O governo estadual encaminhará pedido para que o Zoneamento Agrícola de Risco Climático apenas dessa cultura seja ampliado, para 31 de janeiro. Sobre observação da área técnica do Ministério da Agricultura, de que o calendário de plantio não deve ser prorrogado, o secretário afirmou:

– Conversamos com o secretário de Política Agrícola e ele nos ponderou que é necessário relatório técnico para embasar o pedido. E isso foi assinado hoje (ontem). Esperamos que, com essa posição, possamos ser atendidos.

Outro ponto acordado com as federações da Agricultura, dos Trabalhadores na Agricultura e das Cooperativas Agropecuárias e com a Famurs é o de que, em caso de produtores com perdas significativas, será proposta ao governo federal alguma forma de prorrogação e refinanciamento.

Na média do Estado, conforme relatório preliminar da Emater compilado na terça-feira, as perdas estimadas para a soja são pequenas, de 9,2%. No milho, o quadro é mais grave, com projeção de que se tenha recuo de 20,86% em relação à expectativa do início do ciclo.

Há grandes variações de perdas, no entanto, de uma região para outra. Na área de Santa Maria, por exemplo, a diminuição do potencial das lavouras de milho é estimada em 45%. Em Santa Rosa, é de 2,5%. Situação que se repete na soja. Em Soledade, a previsão é de 20% de redução. Em Passo Fundo, cai para 0,5%.

– Estamos com problemas pontuais, mas não é uma grande calamidade. Nada parecido com as secas de 2005 e 2012 – pontua Gedeão Pereira, presidente da Farsul.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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