CAMPO ABERTO – FALTA DE DRAGAGEM VOLTA A TRANCAR PORTO

A não realização da dragagem de manutenção no porto de Rio Grande volta a causar paralisia no escoamento da safra de grãos do Estado. Desde a semana passada, há registros de graneleiros sendo impedidos de deixar o local por conta do assoreamento do canal de passagem, em situação semelhante à registrada em abril. Hoje, o superintendente Janir Branco tem reunião com o Ibama. O licenciamento ambiental para a limpeza está pendente, o que impede o início do procedimento.

– O superintendente se colocará à disposição para assinar termo de compromisso ambiental para que liberem a obra, que está se tornando de emergência – diz Darci Tartari, diretor técnico da superintendência do porto.

Para as embarcações conseguirem passar, é necessário profundidade mínima de 14 metros. Tartari explica que hoje há pontos onde está inferior. E para garantir a segurança das embarcações, há cerca de dois meses, as autoridades portuárias determinaram que os navios só podem sair quando a maré estiver 50 centímetros acima do nível normal. Para isso acontecer, é preciso uma combinação de fatores climáticos. E depender do tempo é sempre contar com a sorte.

Em um Estado com vocação agrícola como o Rio Grande do Sul é preciso ter o controle da situação, para evitar prejuízos. Mais do que paralisar a saída de navios carregados com grãos – o que tem efeito cascata, bloqueando o recebimento de produto e encarecendo ainda mais o frete -, a situação de agora poderá continuar se repetindo, impactando a próxima safra.

– Se não for feita a dragagem, haverá consequências – alerta o diretor técnico.

Segundo a superintendência, os recursos para a dragagem, que permitirá chegar à profundidade de 16 metros na parte interna e 18 metros na externa, já existem. Dos R$ 368 milhões totais, R$ 83 milhões estariam empenhados pelo governo federal. A obra leva 10 meses para ser concluída – ou seja, se começasse hoje, não estaria pronta até a entrada do maior movimento da safra de verão. Tartari afirma, no entanto, que dentro de três a quatro meses já é possível viabilizar os 14 metros mínimos.

A situação atual preocupa, tanto que a câmara do comércio local está se mobilizando. Ontem, a presidente da Federasul, Simone Leite, falou sobre o problema (a entidade emitiu nota):

– É um impasse muito grande para questões econômicas do Rio Grande do Sul. Somos um Estado exportador, e as empresas estão tendo prejuízos diários.

gisele.loeblein@zerohora.com.br zerohora.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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