CAMPO ABERTO – Expectativa com reunião em Brasília

Carregados de expectativa, representantes de entidades ligadas aos produtores de arroz desembarcam hoje em Brasília para reunião marcada pelo Ministério da Agricultura. Ao mesmo tempo, também sabem que talvez seja difícil sair de lá com medida concreta.

A participação inclui, desta vez, além de arrozeiros, indústria e varejo – o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) recebeu convite para participar.

Para a Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz-RS), sair com esboço de documento para regrar a entrada, de forma escalonada, do arroz do Mercosul, seria um começo importante.

– Acho que temos boa chance, junto com indústria, de realmente formalizar documento para ser apresentado ao ministro do Paraguai, que deve vir ao Brasil, para reunião, em março. A ministra (Tereza Cristina) já disse que, o Mercosul, do jeito que está, só gera prejuízos ao produtor – diz Alexandre Velho, vice-presidente da entidade.

Os paraguaios têm sido um ponto de atenção à medida que a produção do cereal do país vizinho tem ganhado espaço cada vez maior no mercado brasileiro – 70% do que o Brasil importa hoje vem de lá. E o custo da produção do outro lado da fronteira é metade do que o do Brasil.

Titular da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira acha difícil prever o que poderá sair da reunião. Entende que, no momento, seria necessário atuar no mercado, com medida para segurar preço:

– Depois do dia 30 de abril, o preço subirá ao natural, porque a safra é menor.

O secretário de Política Agrícola do ministério, Eduardo Marques, já vem conversando com entidades do Rio Grande do Sul sobre alternativas para a crise enfrentada pelos produtores de arroz, agravada pelo excesso de chuva na atual safra. Ele sabe que há ações de curto, médio e longo prazo a serem executadas, como pontuou na semana passada, durante a abertura oficial da colheita do arroz.

Amostra da inovação

Aproveitando o deslocamento até o sul do Estado, onde participou da abertura da colheita do arroz no sábado, o governador Eduardo Leite conheceu de perto a produção dos Azeites Batalha, em Pinheiro Machado. Ele estava acompanhado da prefeita de Pelotas, Paula Mascarenhas.

A marca integra o portfólio da Chalet Agropecuária, grupo do empresário paulista Luiz Eduardo Batalha (à direita na foto ao lado), um empreendedor nato, que também tem em desenvolvimento projeto para a instalação de fábrica de pellets (combustível sólido de granulado de resíduo de madeira).

– Estamos com 10 dias de colheita. Neste ano, teremos produção de 500 mil quilos de azeitonas. Desse total, cerca de 40 mil serão para azeitona de mesa. O resto é para nossa produção do ano de azeites – explica Batalha.

No Estado, a abertura oficial da colheita está marcada para o dia 15 de março, em Formigueiro.

– Conversamos sobre toda a evolução da produção de oliveiras no Estado. Traçamos uma linha do tempo – explica o deputado Ernani Polo (PP), que acompanhou a visita.

No radar

Novo julgamento, iniciado ontem nos Estados Unidos, volta a colocar em debate o uso do glifosato. Na ação, o californiano Edwin Hardeman acusa o produto da gigante Bayer (que comprou a americana Monsanto) de contribuir para seu câncer. A pedido da Bayer, as apresentações da defesa e da acusação serão feitas em duas partes, podendo essa primeira etapa durar cerca de cinco semanas.

AJUDA DO BRASIL

Uma novidade será apresentada pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) na reunião, hoje, com integrantes do Ministério da Agricultura. A entidade vai sugerir ao governo que compre arroz brasileiro para fins de ajuda humanitária à Venezuela. O país foi o principal destino do cereal produzido no Brasil no ano passado (veja acima).

– Para tanto, o governo pode fazer leilões de compras com o objetivo de doar para a Venezuela. Não faz nenhum sentido abastecer nosso principal importador com produto do nosso principal concorrente – observa Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul, em referência ao fato de que os Estados Unidos estão se mobilizando para fornecer o grão aos venezuelanos.

Além de verificar se há orçamento no Planalto para ação do gênero, o governo federal teria de vencer a resistência do presidente Nicolás Maduro, que rechaça ações de ajuda humanitária. Ele afirmou que a Venezuela está disposta a comprar toda a carne e arroz vindos de Roraima:

– Não somos mendigos.

No mesmo discurso, seguiu com frases como "Querem trazer caminhões com leite em pó? Compro agora. Querem trazer arroz? Compro agora".

Vagas para a solidariedade

Dedicada ao atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade, a organização não-governamental Semear, de Capão do Leão, colheu solidariedade na 29ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz. No total, obteve R$ 20 mil, que serão investidos em melhorias e no pagamento do aluguel da ONG.

Desse volume, mais de R$ 5 mil vieram das contribuições do público – a Semear ficou responsável pelo estacionamento. Outros R$ 15 mil foram doados pelo Sicredi.

– Com esse valor, vamos comprar TV para as crianças, além de financiar uniformes e adquirir porta de vidro. O estacionamento solidário foi muito importante para dar visibilidade à nossa causa – diz Rafael Furtado Peres, coordenador do projeto social.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *