CAMPO ABERTO – Estratégia de controle da deriva do 2,4-D sob avaliação

Novas definições para o combate à deriva do herbicida 2,4-D no Estado poderão ser adotadas a partir da confirmação de resíduo do produto em 76 amostras – há outras 73 à espera dos laudos. Hoje, reunião será realizada entre Ministério Público e Secretaria da Agricultura, com a presença do procurador-geral de Justiça do Rio Grande do Sul, Fabiano Dallazen. O objetivo é avaliar as amostras com resultado já conhecido e também as ações até agora adotadas para tentar controlar o problema.

Produtores de culturas afetadas têm grande expectativa sobre o encontro.

– Não tem mais outra medida a ser adotada que não seja proibição. Desde o início nos manifestamos nesse sentido – pondera Valter Pötter, da Estância Guatambu, de Dom Pedrito.

Ele integra a Associação de Produtores de Vinhos Finos da Campanha, que havia protocolado solicitação para a não utilização do herbicida.

As análises apresentadas também causaram preocupação à Federação da Agricultura do Estado (Farsul), que convocou reunião da diretoria para amanhã. A entidade sempre teve posição contrária à suspensão do produto.

– O resultado positivo de 100% das amostras (até o momento) é forte. Estamos preocupados e achamos que algo mais tem de ser feito – afirma Domingos Velho Lopes, diretor da entidade que acompanha de perto o tema.

Perguntado se a federação estaria disposta a mudar sua avaliação sobre a suspensão, Lopes diz que o posicionamento será o determinado no encontro.

O prejuízo causado pela deriva do produto, usado em lavouras de soja para o controle da buva, foi confirmado pela primeira vez na safra do ano passado. A partir dos laudos, teve início amplo debate e foram estabelecidas normativas com regras para a aplicação. Neste primeiro momento, são exigidas nos municípios com diagnóstico positivo em 2018. Mas a continuidade do problema pede nova reflexão.

Crescimento adubado

O mercado de fertilizantes no Brasil seguirá sendo alimentado pela necessidade de aumento do rendimento nas lavouras brasileiras. Com perspectiva de fechar o ano com volume recorde de vendas e crescimento de quase de 2%, o setor projeta alta, no mesmo patamar, em 2020.

– O Brasil se posiciona cada vez mais como celeiro do mundo. Para isso, você precisa produtividade – pondera Lair Hanzen, presidente da Yara no Brasil, palestrante do Tá na Mesa, na Federasul.

Apesar do volume recorde negociado, 2019 é considerado ano não tão positivo para a performance das indústrias.

– O país importa 80% do que consome. Então, dependemos do mercado externo. Neste ano, o produtor aguardou para comprar adubo. E tem um momento até o qual podemos esperar para trazer o produto, se não chega na época de plantio e não está aqui. Teve muita pressão sobre o adubo chegando e o mercado não andando – explica Hanzen.

A empresa ancora o otimismo futuro também no complexo industrial em Rio Grande, que deve ficar pronto no final de 2020, operando a todo vapor em 2021. Com mais de 80% concluída, a obra somará R$ 1,9 bilhão de investimento. Permitirá duplicar a capacidade de produção, para 1,2 milhão de toneladas, e a de mistura, de 1,5 milhão de toneladas para 2,6 milhões de toneladas.

NO RADAR

Economista da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Estado (Fecoagro), Tarcísio Minetto estará à frente da câmara setorial do trigo da pasta da Agricultura. Ele foi escolhido em reunião em que também foi avaliada a safra deste ano Estado, com colheita praticamente concluída.

Liminares em ação

Enquanto aguarda posicionamento sobre o percentual das atividades consideradas essenciais e que devem ser mantidas na greve, a Secretaria da Agricultura começa a receber as primeiras liminares, obtidas por frigoríficos, determinando a retomada da fiscalização nas unidades. O Sindicato das Indústrias de Carnes e Derivados do Estado (Sicadergs) também entrou com solicitação coletiva para seus associados e até o final da tarde aguardava resposta.

– Está havendo judicialização – confirma Antonio Carlos Ferreira Neto, diretor do Departamento de Defesa Agropecuária da secretaria.

Além da fiscalização em abates, outras áreas são impactadas. Dados da Associação dos Fiscais Agropecuários do Rio Grande do Sul (Afagro) apontam para redução de 88% do número de guias de trânsito animal emitidas por fiscais estaduais agropecuários. Foram contabilizadas ainda 19 denúncias de suspeita de deriva do herbicida 2,4-D e quatro pedidos de cadastro de aplicadores, nenhum atendido.

– Estamos atendendo somente os frigoríficos que estão com liminar. É a maior greve que a fiscalização agropecuária já fez. E o nosso objetivo é manter e aumentar a mobilização até que sejamos respeitados – afirma Antonio Augusto Medeiros.

Na próxima semana, servidores devem avaliar se mantêm ou não a paralisação. Hoje, distribuirão bananas (um dos produtos fiscalizados) para pedestres, em frente à Secretaria da Agricultura, em Porto Alegre.

Receita gaúcha escolhida em disputa da carne Angus

Focado na valorização de produtos regionais, o restaurante Baro Experiência Gastronômica, em Porto Alegre, deu novo formato ao tradicional churrasco gaúcho. A inovação e combinação da picanha angus com purê de moranga cabotiá e queijo coalho garantiu dois títulos no circuito Angus Beef Week, semana de divulgação da carne da raça. Foi reconhecido como melhor menu da Capital e chefs revelação nacional.

– Carne de excelência faz qualquer prato ficar maravilhoso – afirma a proprietária Ana Carolina Reschke.

Ela coordena a cozinha ao lado de Patrick Freitas e Renata Fernandes Rezende. O menu foi criado para o circuito, mas a aceitação foi tão positiva que o restaurante estuda mantê-lo. A expectativa é de que até o fim do ano faça parte do cardápio.

Também participaram da ação Fazenda Barbanegra, Casa de Carnes Ferrari e Barranco.

– Este ano foi uma superação. Tivemos número maior de participantes, incluindo cidades como Porto Alegre e Curitiba – avalia Ana Doralina Menezes, que é gerente do Programa Carne Angus.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora