CAMPO ABERTO – ESTÍMULO OU PROTEÇÃO?

A concorrência dos rótulos importados sempre foi uma pedra no sapato da indústria brasileira de vinho. Duas propostas que estão na Assembleia Legislativa do Estado tentam garantir espaço para a bebida gaúcha nos estabelecimentos comerciais. As medidas dividem opiniões e suscitam debate sobre qual a melhor forma de promover as marcas locais.

O texto mais recente, apresentado na semana passada pelo deputado Maurício Dziedricki (PTB), proíbe a chamada cobrança da rolha ou taxa da rolha – quantia paga quando o cliente leva o produto que será servido – nos casos em que o vinho ou espumante forem produzidos no Rio Grande do Sul, desde que não estejam na carta do estabelecimento em questão.

– O projeto visa privilegiar o vinho e o espumante gaúchos – argumenta Dziedrick.

Mas não é desta forma que a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes do Rio Grande do Sul (Abrasel-RS) vê a questão. A entidade se mostra contrária à medida "por diversos fatores", argumenta Thais Kapp, diretor-executiva. O primeiro é a avaliação de que leis desse tipo impedem o livre comércio. O segundo, é o de que o objetivo de incentivar a produção local não será atingido:

– Não acreditamos que vá gerar esse resultado. Se quiser fomentar o consumo dos produtos gaúchos, a Assembleia poderia trabalhar em uma política de redução de impostos. É por isso que as bebidas chegam ao consumidor final mais caras do que rótulos argentinos, uruguaios, chilenos – opina Thais.

Ela acrescenta que a cobrança de rolha existe em razão do serviço prestado em torno da bebida (o garçom que serve, a taça que é utilizada, por exemplo).

Apresentado em 2015 pelo deputado Gilmar Sossella (PDT), outro projeto de lei determina que se tenham cotas para vinhos e espumantes produzidos no Estado: 50% nos bares, restaurantes (locais em que a bebida é servida) e 25% nos supermercados (para consumo posterior). O projeto já está na ordem do dia, ou seja, apto a ser votado. Procurado para comentar as propostas, o Ibravin não se pronunciou até o fechamento desta edição.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora