CAMPO ABERTO – ESTIAGEM FAZ INADIMPLÊNCIANO PRONAF CRESCER NO ESTADO

A falta de chuva na Metade Sul está afetando também as contas de produtores, em especial dos familiares. Levantamento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS) com o Banco do Brasil (BB) aponta que o valor de dívidas de financiamentos do Pronaf não pagos soma R$ 130 milhões (entre custeio, investimento e passivos anteriormente negociados).

Pode parecer pouco dentro do total – só o BB libera cerca de R$ 7 bilhões para o segmento no RS -, mas acende a luz amarela.

– Começou a preocupar, sim. Está em um patamar administrável, mas a gente nota que precisamos buscar soluções para aliviar esse problema – pondera João Paulo Comerlato, gerente de mercado agronegócios do BB.

A estiagem tem sido um combustível para o avanço do não pagamento em dia das contas, mas não é o único fator. Problemas como a crise no leite e no arroz fizeram com que os percentuais ficassem acima do habitual. A taxa de inadimplência (referente a 90 dias) está perto de 2%, segundo o BB, quando normalmente gira em torno de 1,4% – e o ideal seria de 1%.

Nas linhas de investimento, o percentual está em 2,13%. A preocupação cresce porque o "grosso" das parcelas de custeio ainda está por vencer.

– Nosso produtor não gosta de ficar devendo, porque isso implica em uma série de coisas – garante Márcio Langer, assessor de Política Agrícola da Fetag-RS.

É por isso que a entidade buscará, em reuniões marcadas para hoje, em Brasília, como antecipou a coluna, a possibilidade de alongamento de parcelas vencidas e vincendas dos financiamentos. Há ainda o pedido para que se crie uma linha de crédito emergencial para os produtores de leite, com o objetivo de garantir a manutenção das famílias.

As perdas nas lavouras em razão da ausência de precipitações são estimadas ente 30% e 40%, segundo a Fetag-RS, variando de região para região.

– Dinheiro há, mas a União tem de ter prioridades. Precisa tirar de outros lugares para socorrer. Há animais morrendo de fome, dificuldades em obter água para beber e para dar aos animais – acrescenta Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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