CAMPO ABERTO – À espera de respostas sobre a deriva do 2,4-D

A semana começa com expectativa por respostas a questões relacionadas à aplicação do herbicida 2,4-D. A primeira delas refere-se aos resultados do restante das análises encaminhadas pela Secretaria da Agricultura. Prometidos para hoje, os laudos permitirão que se tenha panorama consolidado do tamanho do problema da deriva na atual safra. Na primeira leva, 100% de 76 amostras deram positivo para a presença do produto em outras áreas que não as de soja, onde é aplicado. Outras 76 estão pendentes de avaliação.

Ponto importante a ser esclarecido é em relação aos 24 municípios onde as regras de aplicação do 2,4-D, criadas após o diagnóstico do problema na safra passada, estão em vigência. Os primeiros resultados apontaram deriva em somente 10 deles, o que foi considerado positivo pelo Ministério Público (MP) do Estado e pela secretaria. Produtores das culturas afetadas dizem que esse número irá crescer, com base nos relatos de suspeitas apresentadas. Saber a abrangência é relevante porque mostra eficácia ou não das medidas adotadas para tentar contornar o problema.

Até o momento, o número de suspeitas escalou significativamente. E os laudos de metade das amostras indicam comprovação da deriva maior do que em todo o ciclo anterior. Tanto que levaram o MP a recomendar a suspensão da aplicação, enquanto os fiscais estaduais agropecuários estiverem em greve. E essa é outra resposta aguardada: se a secretaria acatará a solicitação feita.

O prazo para esse retorno, segundo o MP, é de cinco dias – a contar da última quinta-feira. Mas o secretário Covatti Filho espera para hoje sinalizações da Procuradoria-Geral do Estado (PGE). Uma delas é sobre a essencialidade dos serviços prestados pelos fiscais. Se considerados imprescindíveis, afirma o titular da pasta, determinariam o retorno dos servidores à atividade e anulariam a necessidade da suspensão, uma vez que é válida somente durante a paralisação. Outro item é se a secretaria tem a competência para adotar a medida ou não.

O promotor de Justiça Alexandre Saltz, responsável por inquérito civil, diz que outra ação a ser adotada depende da manifestação da Agricultura. Quem está sendo afetado pela deriva tem pressa de ter essas respostas.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora