CAMPO ABERTO – ESPAÇO ABERTO PARA DEBATER O SUSAF-RS

O conselho gestor do Sistema Unificado Estadual de Sanidade Agroindustrial Familiar, Artesanal e de Pequeno Porte (Susaf-RS), mecanismo que permite a venda de produtos fora do município de origem, teve apenas uma reunião nos últimos três anos. Entidades reclamam que a falta de encontros do grupo é uma das razões para a baixa adesão. São 22 municípios desde a regulamentação, em 2012, o que representa menos de 5% do total.

– Tem muita informação distorcida lá na ponta do sistema. Está faltando esse diálogo, porque tem entidades de assistência técnica e universidades no grupo – pontua Jocimar Rabaioli, assessor de política agrícola e coordenador das feiras de agricultura familiar da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS).

Mário Nascimento, coordenador técnico da Famurs concorda que é preciso conversar:

– Para os municípios é um tema prioritário, precisa ser tratado.

Diretor-geral da Secretaria da Agricultura, Antônio Aguiar confirma que houve uma reunião no atual governo, mas garante que os encontros dependem da solicitação dos integrantes:

– É um conselho consultivo. Tinha uma demanda inicial, que era a formatação da normativa que regulamentou o Susaf. A partir daí, vai se reunindo por pedido das entidades.

Segundo Aguiar, a secretaria deve realizar nova reunião ainda neste mês, provavelmente no dia 29. Ele discorda, no entanto, de que a falta de encontros justifique a pequena quantidade de municípios que têm Susaf-RS:

– Há municípios onde existem muitas indústrias satisfeitas com a venda no comércio local e não demandam à prefeitura a adesão. Claro que 22 municípios estão aquém do que deveria, mas quando assumimos eram só cinco.

Hoje, 10 técnicos da secretaria fazem as vistorias às agroindústrias, etapa importante do processo. Mas eles não atuam exclusivamente nesta função.

– Há grande demora por falta de corpo técnico da secretaria – confirma Rabaioli.

Seja por um motivo ou por outro, o sistema ainda tem muito a avançar para ter o efeito desejado na vida das agroindústrias.

Nada como um mês após o outro. Outubro foi de reação para as cotações da soja. Além da desvalorização do real frente ao dólar, o que favoreceu o preço no mercado interno, os valores na Bolsa de Chicago também registraram alta.

– Houve uma mudança de ventos em Chicago. O mercado ficou o tempo todo esperando safra recorde nos Estados Unidos, mas a produção cresceu só 3%. Ou seja, a safra não é tão grande como parecia – observa Carlos Cogo, consultor em agronegócio.

Ao mesmo tempo, começaram as pressões em relação ao clima na América do Sul, com problemas e especulações sobre o La Niña. Na largada do plantio, houve atraso e todo esse estresse fez o preço subir na bolsa americana, acrescenta o consultor.

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, indica que em outubro a soja alcançou o maior patamar dos últimos três meses. O Indicador Cepea/Esalq Paraná avançou 2,3%, com média de R$ 66,48 a saca.

– Essa reação de preço chegou, tardiamente, em outubro – completa Cogo. MUDANÇA DE VENTOS

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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