CAMPO ABERTO – ESCOLHAS FEITAS, CONFIRMAÇÕES AINDA PENDENTES

Três estruturas ligadas à Secretaria da Agricultura aguardam a confirmação dos nomes indicados às posições de comando. As razões para a demora na homologação são diferentes, mas Centrais de Abastecimentos do Estado (Ceasa), Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) e Emater ainda vivem, na prática, período de transição.

Na Ceasa, o nome apontado para a presidência é o de Ailton dos Santos Machado, que já ocupou o cargo e esteve à frente da diretoria técnica-operacional na gestão passada. A indicação feita pelo PP já foi encaminhada à Casa Civil. O processo, segundo a assessoria da pasta, está agora em tramitação, seguindo os preceitos determinados pela legislação que trata da responsabilidade das estatais. Não há, no entanto, prazo para a definição, mas a expectativa é de que a confirmação saia o mais rápido possível.

A Associação dos Produtores da Ceasa tem pressa em fazer a passagem ao novo comando, para dar seguimento a projetos como a instalação de 87 câmeras de segurança, explica Evandro Finkler, presidente da entidade:

– Está demorada essa transição.

Na Emater, o PSB escolheu Silvana Dalmás, atual diretora administrativa do órgão, para ocupar a presidência. Os nomes dela e de Alencar Rugeri, escolhido diretor técnico por meio de votação entre os funcionários, já foram submetidos ao Piratini, que só precisa oficializar as escolhas.

O caso mais delicado é o do Irga, cuja indefinição resulta da falta de consenso quanto aos nomes que aparecem na lista tríplice escolhida pelo conselho deliberativo do órgão (o atual presidente, Guinter Frantz, o ex-diretor administrativo Renato Rocha e o agricultor Auro Kirinus). Tanto que a Agricultura considera via alternativa.

– Nossa ideia é entrar na fase final – assegura o titular da pasta, Covatti Filho.

A pretensão é de que na sexta-feira, quando ocorre a cerimônia da abertura oficial da colheita de arroz, esse assunto seja um dos muitos a serem tratados pelo setor.

ENTREVISTA | ALCEU MOREIRA

Deputado federal e presidente da FPA

Gaúcho de Osório, Alceu Moreira, 64 anos, assume em seu terceiro mandato como deputado federal o desafio de comandar a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Com 250 deputados e senadores, o grupo concentra a bancada ruralista nas duas casas e foi presidido na gestão passada pela atual ministra da Agricultura, Tereza Cristina. A posse oficial foi ontem, em Brasília. Por telefone, o parlamentar conversou com a coluna. Confira trechos da entrevista.

Existe desconforto da FPA, que apoiou em peso Bolsonaro, com as propostas da equipe econômica do governo, como revisão de subsídios ao crédito rural?

Não temos até hoje nenhum ruído com o governo, porque o que temos do governo são comentários, não há proposta específica. Essa questão dos subsídios, temos de discutir incluindo outros fatores que compõem os custos das lavouras. É possível várias coisas como, por exemplo, reduzir o spread bancário. O governo pode propor, e vamos propor uma série de coisas. É muito mais uma questão matemática, caso tenha de se fazer um ajuste no setor.

Como veem a questão do passivo do Funrural?

Seguramente, teremos de sentar com Bolsonaro e com a equipe econômica para ver o que é possível. O discurso ficou genérico. Esse é um passivo que grande parte dos produtores tem de maneira alienada. Se tu deve alguma coisa e recebe liminar dizendo que é inconstitucional, tu não paga. Aí a Corte decide rediscutir e dá decisão inversa. A grande maioria dos produtores não consegue pagar. Teremos de achar alternativa, encontrar consenso.

Um dos temas mais polêmicos em debate no ano passado é o da mudança nas regras de agrotóxicos. Deverá ser retomado em 2019?

Com certeza. Faremos workshop com relação aos temas e convidaremos os maiores especialistas do mundo para fazer convencimento da sociedade. O uso da molécula certa faz com que se empregue muito menos inseticida na lavoura. O debate deve ser claro. A frente fara essa discussão externa para esclarecimento, para mostrar para a população que temos compromisso com o que comem. A agricultura começa no solo e termina na boca dos consumidor.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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