CAMPO ABERTO – EFEITO TRUMP NO PREÇO DA SOJA

O anúncio de que os Estados Unidos pretendem ampliar de 10% para 25% a tarifa imposta a US$ 200 bilhões de produtos da China cobrou seu preço também do mercado agrícola. A Bolsa de Chicago amanheceu ontem com baixa expressiva, chegando a registrar a menor cotação para a soja em 11 anos. Ao longo do dia, os preços foram se recuperando, fechando a melhores níveis US$ 8,17 o bushel, nos contratos para maio.

Mas o estrago feito pelo presidente americano, Donald Trump, por meio de tuite, estava feito. A informação (ou seria a nada sutil pressão) é de que as novas tarifas serão aplicadas a partir da sexta-feira, dia 10. Os americanos contavam com um armistício na guerra comercial travada entre os dois países desde o ano passado, para tentar reduzir os estoques internos do grão.

– O mercado estava contando que a China voltasse às compras. Sem dúvida alguma, a notícia foi impactante. Pesou para que a soja operasse em forte queda na manhã. Depois houve recuperação. Mas o mercado está bem apreensivo. São as duas maiores economias do globo – pondera Marcos Araujo, consultor da Agrinvest Commodities.

A baixa em Chicago vem em péssima hora para o produtor de soja brasileiro, que finaliza a colheita e está com silos cheios. No ano passado, a disputa entre EUA e China acabou beneficiando o Brasil, que ampliou consideravelmente os embarques do grão para o país asiático. O avanço na demanda fez subir o valor de prêmio pago. Aliado à variação cambial, acabou compensando reduções na bolsa americana e deixando o valor do grão atrativo. Hoje, no entanto, o cenário é outro, ponderam especialistas.

– O pano de fundo deste ano é diferente do ano passado. Temos o problema da peste suína africana na China, com impacto sobre a demanda por soja – observa Luiz Fernando Gutierrez Roque, analista da Safras & Mercado.

Araújo acrescenta o fato de o cenário macroeconômico chinês ser diferente e o aumento expressivo da produção argentina de soja – no ano passado, houve quebra no país vizinho.

Com essa perspectiva, mesmo que a guerra comercial persista, os valores de prêmios não deverão ser os mesmos do ano passado. Com recuo na Bolsa de Chicago, restaria ao produtor apostar nos picos de câmbio para tentar buscar preços melhores.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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