CAMPO ABERTO – Efeito multiplicador das novas habilitações da China

Os chineses foram generosos com o Rio Grande do Sul na nova lista de frigoríficos habilitados a exportar carne para o país asiático. No Estado estão localizadas seis das 13 unidades que receberam ontem a autorização.

As cinco plantas de suínos ficam em solo gaúcho (uma da JBS em Caxias do Sul, duas da Seara, em Seberi e Três Passos, uma da BRF, em Lajeado, e uma da Aurora, em Sarandi). Há ainda uma de bovinos (da Marfrig, em São Gabriel). A boa nova foi comunicada pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

– Essa é a grande notícia do dia – afirmou.

No Brasil, cresceu a quantidade dos credenciados para embarques à China: são 16 frigoríficos de suínos, 46 de frango e 37 de bovinos. No RS, há ampliação de três para oito unidades de suínos credenciadas. E de duas para três de bovinos.

A mudança faz crescer o volume com potencial para atender a esse mercado, com demanda impulsionada pela peste suína africana (leia mais ao lado).

– Para o Rio Grande do Sul, é uma bênção. Falei hoje com as empresas, e uma delas vai investir em projetos de duplicação das plantas. Então, não é só o benefício das exportações em si – avalia Francisco Turra, presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

E tem razão o dirigente. Os efeitos da conquista vão além da simples venda. Poderão fomentar novos investimentos por parte de quem recebeu a autorização. Ao mesmo tempo, o aumento das vendas externas também abre espaço no mercado doméstico, beneficiando, indiretamente, empresas que não têm o aval.

– É uma conquista muito grande. Se tem condição de exportar um bom volume. Dependerá da avaliação de cada unidade – observa Rogério Kerber, diretor-executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos do RS (Sips).

O Estado é hoje o terceiro maior produtor de suínos, mas o segundo no ranking de exportação do produto. Perde só para Santa Catarina, que colhe os frutos do status sanitário diferenciado, de livre de febre aftosa sem vacinação. A condição permitiu, recentemente, que unidades catarinenses fossem habilitadas para embarcar miúdos.

Apetite crescente

A comemoração das novas habilitações concedidas pelos chineses não é excesso de entusiasmo. Com um problema sério dentro de casa, que atende pelo nome de peste suína africana, o país asiático vê seu rebanho diminuir. E, com isso, percebeu a necessidade de reforçar as fontes de proteína externas, caso do Brasil.

Números da Associação Brasileira de Proteína Animal confirmam o aumento das compras da China. No acumulado do ano, a alta é de 40% no volume de suínos e de 22% de frango em relação a igual período do ano passado (veja gráfico acima).

No caso da carne suína, um terço de tudo que foi embarcado pelo Brasil teve o país asiático como destino. E dessa quantidade enviada aos chineses, 75,5% saiu de Santa Catarina (que tinha até então sete plantas habilitadas) e 24,4% do Rio Grande do Sul (que tinha três unidades aptas à exportação).

A tendência é de que, com a lista ampliada de frigoríficos capacitados para a venda, esse volume acabe ficando maior.

No Estado, ainda existem outras unidades buscando credenciamento. No caso dos suínos, os chineses não abrem mão de um requisito: de que a produção seja livre de ractopamina. A substância promotora de crescimento não é aceita por alguns países. Além da China, a Rússia também faz essa exigência para os interessados em exportar ao seu mercado.

Força-tarefa com foco na deriva

Força-tarefa formada por Polícia Civil, Brigada Militar, Fepam, Instituto Geral de Perícias e Ministério Público do Estado intensificará a fiscalização em locais com suspeita de deriva do herbicida 2,4-D. A iniciativa deve ser realizada na próxima semana principalmente na Campanha, e em Jaguari, na Região Central, e em Santiago, na Fronteira Oeste.

A nova estratégia foi definida em reunião, ontem, no MP com os promotores Alexandre Saltz, da Promotoria do Meio Ambiente de Porto Alegre, e Felipe Teixeira Neto, coordenador do Núcleo de Resolução de Conflitos Ambientais, e representantes de órgãos e instituições.

– O que muda, na prática, é que, quando chegar a denúncia, em vez de ir só fiscal agropecuário, haverá equipe da força-tarefa, que fará diligências – explica Saltz, responsável por inquérito civil que apura o caso.

Último dado da Secretaria da Agricultura é de 73 suspeitas de deriva do produto, aplicado para combate da erva-daninha buva, em lavouras de soja.

NO RADAR

O Ministério Público do Estado tem duas reuniões marcadas para hoje com o tema 2,4-D na pauta. Uma é com produtores de culturas afetadas pelo problema. A outra será com o vice-governador, Ranolfo Junior, que também é secretário de Segurança Pública, para tratar da força-tarefa que será executada.

A abertura oficial da colheita de tabaco no Rio Grande do Sul será no dia 7 de dezembro. será em propriedade de Linha Paleta, em Arroio do Tigre, no Vale do Rio Pardo. O Estado é o maior produtor nacional. A solenidade deve ter a presença do governador Eduardo Leite.

Novo mandato à frente da FPA

O deputado Alceu Moreira (MDB-RS) ficará mais um ano no comando da Frente Parlamentar da Agropecuária do Congresso. A decisão pela manutenção no cargo veio em reunião do grupo, realizada ontem.

No encontro, houve modificação do estatuto para que o mandato passe a ser novamente de dois anos. A alteração para um ano foi feita no fim da gestão passada.

Eleito em dezembro de 2018, Moreira ficará na presidência até dezembro de 2020. A partir dessa data, a gestão será de dois anos.

Entre os temas a serem trabalhados pela bancada estão redução de custos da produção e continuidade de ações de comunicação do agronegócio.

– Já melhorou, mas ainda falta trabalhar a imagem para o público urbano e externo – afirma o presidente da FPA.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora