CAMPO ABERTO – DRAGA PARA OBRA NO PORTO CHEGA AMANHÃ

O equipamento usado na dragagem de manutenção do porto de Rio Grande chega amanhã ao Estado. Essa é a estimativa da Dragabras, uma das empresas do consórcio responsável pela obra. Com assinatura da ordem de serviço por parte do Ministério dos Transportes marcada para hoje, como adiantou a coluna na semana passada, os trabalhos poderão começar ainda nesta semana. Uma boa notícia, considerando que a execução é aguardada há pelo menos três anos, quando foi assinado o contrato e que precisou ter a validade alongada.

A diferença é que, para conseguir a licença do Ibama, o projeto original acabou tendo duas partes suprimidas: o trecho da bacia de evolução do terminal de contêineres e o alargamento do canal.

A autorização dada pelo órgão ambiental é para a retirada de até 16 milhões de metros cúbicos, explica Janir Branco, superintendente do porto. A autarquia terá como missão fazer a fiscalização da limpeza, técnicos da Secretaria Nacional de Portos.

A tarefa será feita por especialistas contratados pelo Estado – a maioria da Universidade Federal de Rio Grande. Parte desse trabalho já é feita habitualmente, exigência da licença de operação do porto.

– Na dragagem, o monitoramento será feito antes, durante e depois, principalmente do local de descarte. Temos sensores na área, que é mais distante e profunda do que a da proposta original: 20 quilômetros e 20 metros – explica Janir.

O local de colocação dos sedimentos foi justamente um dos pontos questionados pelo Ibama. Parecer técnico do órgão embasou a decisão de vedar a área de descarte prevista inicialmente.

Entre os motivos apontados estavam o aparecimento de lama na Praia do Cassino, o descumprimento de condicionantes de licença de operação desde 2005 e manifestações contrárias realizadas pela Câmara de Vereadores de Rio Grande e por setores da sociedade civil.

Os recursos do governo federal destinados à obra completa somavam R$ 368 milhões, mas isso foi antes de partes serem excluídas. Segundo Claudio Pirolo, diretor-executivo da Dragabras, o valor final depende da quantidade exata que será retirada.

Como o prazo máximo para execução da dragagem de manutenção é de 10 meses, isso significa que no escoamento da próxima safra de grãos do Estado, a dragagem ainda esteja sendo feita, o que não é um problema.

– É possível fazer junto, não atrapalha – afirma Pirolo.

A poucos dias do 2º turno das eleições, o cenário político ganhou espaço no 3º Congresso Nacional das Mulheres do Agronegócio, que reuniu 1,5 mil pessoas em São Paulo. Economistas reforçaram que, independentemente de quem vencer, as incertezas em relação à economia brasileira continuarão.

– O quadro é muito desafiador, especialmente por conta das reformas econômicas que precisam ser feitas – disse Zeina Latif, economista-chefe da XP Investimentos.

Ela citou a necessidade de alterar o sistema da Previdência:

– Quando se fala em mudanças, todos se acham especiais. Pode mexer em outra categoria, mas não na minha.

A economista Tatiana Gomes, do Banco Alfa, acrescentou:

– Se cada um olhar para o seu umbigo, para medidas que lhe interessem, não há mudança estrutural.

A preocupação é justificada principalmente pelos impactos dos rumos da política econômica para o agronegócio, da variação cambial ao consumo das famílias brasileiras.

– É por meio da organização da sociedade civil, incluindo vocês produtoras, que devemos cobrar não uma política individual a um setor, mas, sim, coletiva – recomendou Cristina Mendonça de Barros, da MB Associados.

Sobre a possibilidade de unir os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente, a avaliação é de que não seria benéfica para o país. UM POR TODOS, TODOS POR UM

*A jornalista viajou a convite da Corteva Agriscience

De São Paulo

JOANA COLUSSI*

Fonte : Zero Hora

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