CAMPO ABERTO– Dois pesos, duas mediDas para o arroz

De um lado, representantes de produtores e o entendimento de que é preciso, de alguma forma, frear a enxurrada de arroz vindo de países do Mercosul. Do outro, a indústria, que defende a necessidade de mudanças estruturais, sem ações que possam desgastar os integrantes do bloco. Foi assim que terminou o primeiro dia do grupo de trabalho criado durante audiência pública para tentar colocar um ponto final na crise do setor.

Para a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS), a medida mais eficiente será no âmbito de defesa sanitária. Segundo o presidente Henrique Dornelles, deverão ser feitos exames de resíduos do arroz importado:

– Se houver substâncias que não podem ser usadas no Brasil, a carga será rechaçada.

Outro ponto defendido é o de que seja revista a lista de produtos do Mercosul com isenção de tarifa. O secretário de Agricultura do Rio Grande do Sul, Ernani Polo, diz que as regras foram criadas "há mais de 20 anos" .

– Quando o bloco surgiu, o Brasil não era autossuficiente. Hoje, a situação é outra – completa Tiago Barata, diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga).

Entidades dizem que não são contrárias ao bloco, mas reforçam que o produto brasileiro não tem competitividade.

– Existem posições antagônicas dentro do grupo de trabalho. O setor industrial não percebeu que está lavando as mãos para o problema que temos – lamentou Dornelles.

Diretora-executiva da Associação Brasileira da Indústria de Arroz (Abiarroz), Alessandra Silva contrapõe: não existe antagonismo, mas, sim, pontos de vista diferentes.

– Entendemos que é preciso investir do ponto de vista estrutural e não em medidas pontuais. O problema não é dos países do Mercosul. É dentro de casa – pondera.

Ela afirma que projetos de lei apresentados na audiência trazem "custo ainda maior".

LICENÇA PARA EXPANDIR

Firme no plano de investir no mercado brasileiro – acaba de anunciar a compra dos ativos da Vale Fertilizantes, em Cubatão (SP) -, a multinacional Yara está com as obras de ampliação da unidade no porto de Rio Grande (foto) em compasso de espera. O cronograma trancou na licença ambiental para a instalação da rede de transmissão de energia. A boa notícia é que Ana Pellini, secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, promete para hoje o documento, conforme informou à coluna.

– Estamos prontos para construir a rede necessária para prover energia ao projeto. A falta da licença começou a ser um gargalo para o projeto – explica Lair Hanzen, presidente da Yara Brasil e vice da Yara International.

A ampliação da unidade em Rio Grande prevê aporte total de R$ 1,3 bilhão e irá gerar 1,7 mil empregos diretos, no ápice das obras. O projeto será entregue em etapas. A conclusão da primeira, da estrutura de armazenamento e logística, está prevista para a metade de 2018. Depois, explica Hanzen, tem a de produção química de fertilizantes, em 2019, e a última, em 2020.

Com a ampliação da unidade de Rio Grande, a empresa aumentará a capacidade de produção de 650 mil para 1,2 milhão toneladas e de mistura e expedição de 1,5 milhão de toneladas por ano para 2,6 milhões de toneladas.

A obra se soma a outras à aquisição dos ativos da Vale, anunciada na última sexta-feira, negócio de US$ 255 milhões.

– Temos hoje mais distribuição do que produção no Brasil. Com essa compra, equilibrará um pouco nossa posição. O grande apelo da unidade é a planta de nitrogênio. Será nossa estreia na produção de nitrogenados – afirma Hanzen.

A Yara tem cerca de 25% do mercado de fertilizantes no país. No Rio Grande do Sul, o percentual é de mais de 35%.

O MINISTÉRIO da Agricultura espera para hoje o recebimento dos certificados e dos laudos que indicam a presença de ractopamina em carne embarcada pelo Brasil à Rússia. Ontem, foi realizada videoconferência com o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária russo para tratar do tema. A pasta brasileira afirma não ter sido comunicada das restrições à importação, apenas da detecção da substância.

Entre mais de

9 mil

trabalhos inscritos, o maior volume em 15 anos do projeto, o Senar-RS divulgou ontem os vencedores do Agrinho 2017. São os melhores trabalhos em 11 categorias, de cada uma das 10 regiões atendidas pelo programa, além da etapa estadual (veja em senar-rs.com.br).

em até 10 dias

Em um prazo de até 10 dias, as coordenadorias regionais de saúde devem receber o protetor solar entregue a agricultores pelo programa Saúde na Pele. O produto está em falta em 30 municípios, conforme levantamento da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS). Essas cidades terão prioridade no recebimento dos 84 mil frascos adquiridos pela Secretaria da Saúde.

– Outro ponto esclarecido na reunião com a secretaria foi o de que não é necessário fazer recadastramento dos produtores – explica Lérida Pavanelo, coordenadora estadual de mulheres da Fetag-RS.

Também foi acertada a criação de um grupo de trabalho.

– O grupo avaliará todo o programa – afirma o deputado Elton Weber (PSB).

Indesejado primeiro

Sistema criado para monitoramento dos casos de ferrugem asiática, o Consórcio Antiferrugem detectou o primeiro caso da doença na safra 2017/2018. O fungo foi registrado em uma lavoura de soja do município de Itaberá, no interior de São Paulo. A identificação foi feita por pesquisadores da Fundação ABC em plantação semeada em setembro, que vinha sendo monitorada.

– Os produtores devem observar a eficiência dos fungicidas em ensaios recentes e os problemas de resistência ocorrido na última safra, principalmente na região sul do país – ressalta a pesquisadora Cláudia Godoy, da Embrapa Soja.

A Abiec emitiu nota de alerta para os riscos à produção de carne, caso não sejam tomadas medidas quanto ao passivo do Funrural. A entidade afirma que "a cobrança retroativa é inviável do ponto de vista econômico. Com margens pequenas, a tributação do período em que o setor ficou desobrigado do recolhimento levará muitas empresas a fecharem as portas".

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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