CAMPO ABERTO – Dobro de ovinos na Feovelha

O bom momento da ovinocultura se reflete nas inscrições de animais na 36ª Feira e Festa Estadual da Ovelha (Feovelha), em Pinheiro Machado, na Campanha. Até terça-feira, somavam 3,5 mil exemplares, mais do que o dobro do ano passado, que ficou em 1,7 mil. Esse número pode chegar a 4 mil até a próxima segunda-feira, quando se encerram as inscrições para o Rematão, principal leilão do evento. O faturamento, que no ano passado ficou em R$ 768 mil, pode chegar a R$ 1 milhão.

– Os produtores voltaram a acreditar nos ovinos. Tanto a carne quanto a lã se valorizaram. Além disso, houve redução de 80% do abigeato – explica Estela Garcia, secretária-executiva do Sindicato Rural do município.

O aumento de participação dos animais na feira é resultado de um conjunto de fatores, informa Francisco Schardong, presidente da Comissão de Exposições e Feiras da Federação da Agricultura do Estado (Farsul):

– Qualidade, sanidade, genética, marketing e parceria mais forte das entidades.

O preço médio da carne passou de R$ 6,40 há um ano para R$ 7,48 nesta semana, segundo a Emater. Agora, os produtores estão na expectativa sobre os preços alcançados durante a Feovelha, que serve de balizadora para as próximas feiras no Estado, que conta com plantel de 3,3 milhões de animais.

“Economia de precisão contribui para um mundo mais sustentável”

ENTREVISTA: MARIANA VASCONCELOS, CEO e fundadora da Agrosmart

Mariana Vasconcelos, 28 anos, CEO da agtech Agrosmart, participa do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Filha de agricultores, já foi listada na Forbes Under 30 como uma das 35 jovens mais inovadoras da América Latina. No evento, que ocorre até amanhã, ela falará como questões ambientais e economia de precisão podem contribuir para o desenvolvimento do agronegócio brasileiro.

Como avalia o tema central do principal fórum econômico mundial ser o meio ambiente?

Colocar a sustentabilidade em discussão surge por meio desta questão de urgência das mudanças climáticas e o peso de que não adianta falarmos de quarta revolução industrial se não fizermos de maneira sustentável. Foi essa a percepção de urgência de todos os players, instituições privadas, governo, da importância de olhar o ambiente, respeitar e criar práticas sustentáveis para conseguirmos avançar nessa nova revolução industrial e tecnológica.

Como as soluções da Agrosmart se inserem nesse debate?

Trabalhamos com soluções que ajudam o produtor a entender demandas hídricas, irrigar da melhor maneira, conservar água, reduzir custos de energia (…). Vai desde o monitoramento da lavoura com sensores, imagem de satélite e caderno de campo. Em cima desses dados, geramos inteligência da própria Agrosmart. Atuamos com empresas de insumos, sementeiras, defensivos e biológicos. Trabalhamos ainda com indústrias de alimentos e bebidas e com setor financeiro.

Qual a expectativa sobre o painel economia de precisão?

Vou levar a bagagem da agricultura de precisão, de como a gente entende o ambiente, a planta, e ver gargalos para adoção da tecnologia. Estamos no fórum para encontrar forças, parceiros, alianças, gente que é tomadora de decisão.

Qual a importância de discutir tecnologias e ambiente para o agronegócio brasileiro?

Temos um agronegócio líder de produção e exportação em diversas culturas e respeitado mundialmente. Quando olhamos os limitantes, muitas das polêmicas ligadas ao setor estão relacionadas ao ambiente. A tecnologia permite não só fazer com que se use melhor os recursos e se tenha agricultura mais eficiente em produção e sustentabilidade, mas também traz rastreabilidade e transparência. Isso aumenta o nível de confiança para o Brasil poder vender para mais lugares e com preço de maior valor agregado. A gente não deve só ser forte na agricultura, mas precisamos liderar uma nova revolução porque entendemos de agro e temos capacidade para desenvolver tecnologia de ponta.

NO RADAR

No primeiro dia da agenda da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, na Índia, ela discutiu oportunidade de investimento de empresas brasileiras no setor de processamento de alimentos, redes de varejo, máquinas para indústria de alimentos e cooperação tecnológica. O Brasil tem interesse em ampliar participação em carne de frango naquele país.

Eduardo Sampaio Marques, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, disse ao senador Luis Carlos Heinze que irá intervir junto aos bancos para prorrogar financiamentos dos produtores do RS em razão da estiagem, em encontro com o vice-presidente Hamilton Mourão, em Brasília.

karen.viscardi@zerohora.com.br

KAREN VISCARDI – INTERINA

Fonte : Zero Hora

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