CAMPO ABERTO – Diante da confirmação, como lidar com a deriva agora?

A confirmação da repetição do problema da deriva do herbicida 2,4-D no Rio Grande do Sul traz um novo desafio para a questão. Diferentemente do ano passado, quando os laudos corroboraram suspeitas de problema até então não oficializado, agora, indicam a continuidade mesmo com a criação de regras para aplicação. É preciso ressaltar que a exigência, neste primeiro momento, era para os 24 municípios em que as análises detectaram resíduos do produto no ano passado. Passará a ser de larga escala no próximo ano, abrangendo todo o Estado.

O fato é que Estado e Ministério Público (MP) voltarão a conversar sobre o problema. Reunião está marcada para amanhã e deve contar com a presença do procurador-geral de Justiça, Fabiano Dallazen.

Produtores afetados já vinham pressionando pela suspensão do uso do produto. E os resultados das análises (leia mais na página 11) devem reforçar pedido protocolado pela Associação dos Produtores de Vinhos Finos da Campanha no início do mês de novembro.

Responsável por inquérito civil que trata do caso, o promotor Alexandre Saltz pondera que "o papel do Ministério Público é fiscalizar o cumprimento da ordem jurídica", e que, nesse sentido, evidentemente, o órgão buscará resposta do Estado:

– A gente soma esse resultado dos laudos com a greve dos servidores, que começa amanhã, e realmente é um cenário que preocupa.

A reunião servirá para que seja feita análise conjunta dos resultados e para definir quais os próximos passos a serem tomados, podendo haver revisão da estratégia diante do quadro atual. Também haverá encontro com grupo de trabalho da secretaria.

De 2018 para cá, houve mudanças: debate sobre o assunto resultou na criação das regras. Ainda assim, os resultados mostram que o problema persiste. Apareceu somente em 10 dos 24 municípios do ano passado, mas se disseminou para outros até então sem registro. E para culturas além da uva, da maçã e da azeitona.

É possível que, neste ano, mais produtores tenham se encorajado a denunciar. De toda forma, e lembrando que ainda há laudos a serem emitidos, é preciso refletir se existe fôlego para dar conta da fiscalização e da responsabilização de quem insiste em descumprir regras.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora