CAMPO ABERTO – DEZEMBRO FEZ DIFERENÇA EM 2017

Oúltimo mês do ano costuma ser inexpressivo para as exportações do agronegócio do Rio Grande do Sul. No ano passado, a história foi outra. Com um segundo semestre de commodities mais valorizadas do que no primeiro, os produtores decidiram colocar o produto no mercado e o resultado foram volume e receita maiores. A ponto de superar as projeções feitas no início do ano e garantir crescimento de 10,03% e de 4,43%, respectivamente (veja quadro), como aponta relatório da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

– As exportações foram de mais de US$ 1 bilhão. Passar dessa cifra é coisa para período de safra, não para dezembro – pondera Antônio da Luz, economista-chefe do Sistema Farsul.

O faturamento foi 38,5% maior do que no mesmo mês do ano anterior. Se a comparação considerar apenas a soja, o aumento é ainda mais expressivo: 232%.

– O último mês de 2017 fechou uma tendência. Tivemos um ano com duas realidades bem distintas entre primeiro e segundo semestre – completa Luz.

Nos seis primeiros meses de 2017, os preços estavam ruins no mercado internacional e a cotação do câmbio também não favorecia os negócios. Isso fez com que as vendas ficassem represadas. Como no segundo semestre houve melhora substancial no cenário global, o produto guardado acabou sendo colocado no mercado. Fez subir a curva dos embarques, sobretudo da soja em grão.

O economista da Farsul fez uma ponderação: em reais, mesmo com o aumento de volume, o faturamento foi menor do que em 2016 – houve redução de 2,38%. O cenário endossa a máxima da entidade de que foi um ano de safra cheia e bolso vazio.

Para 2018, ainda é preciso esperar a colheita de verão para se ter uma ideia mais clara de como devem ficar os embarques. Mas como estima-se colheita menor, o potencial das exportações tende a encolher.

– Mas esses últimos meses vieram tão fortes que a gente poderá terminar o primeiro trimestre neutralizando o efeito da queda prevista – observa Luz.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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