CAMPO ABERTO – De volta à casca

O debate em torno da tributação do arroz em casca na venda para outros Estados ganhou novo capítulo. As federações da Agricultura (Farsul) e das Associações de Arrozeiros (Federarroz-RS) entregaram pedido para o governador Eduardo Leite de redução do ICMS. Pela proposta, o produto passaria a ser taxado em 7% e 4%, conforme a região, por 30 dias, podendo ser prorrogado por igual período, em caso de aumento na arrecadação e manutenção do câmbio alto.

– Surgiram fatos novos. Como a valorização do dólar, favorecendo a exportação, que não deixa impostos para o governo estadual. Além disso, há a questão do alongamento das parcelas de custeio do produtor – explica Alexandre Velho, presidente da Federarroz.

A solicitação está sob avaliação do Piratini. Gedeão Pereira, presidente da Farsul reforça que a cultura do arroz enfrenta crise que não é nova:

– Há uma série de coisas que fogem da nossa alçada. Estamos buscando solução para o problema. Com o governo federal, negociamos a rolagem de dívidas. No Estado, essa redução momentânea, para nosso produto poder concorrer.

A medida, no entanto, é vista com preocupação pela indústria de beneficiamento de arroz do Estado. Representantes do Sindarroz estiveram reunidos com o governador e apresentaram estudo técnico com consequências da redução.

– Se o abastecimento brasileiro for feito por arroz gaúcho em casca, significa que o mercado acessado pela indústria gaúcha, com o produto final, ficará ainda menor. Isso causará desequilíbrio – diz Tiago Barata, diretor-executivo do Sindarroz.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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