CAMPO ABERTO – DE MÃOS ATADAS

Foi sem nenhuma enrolação que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, respondeu sobre o que pode fazer para modificar as relações do Brasil no Mercosul, ação considerada fundamental para diluir a crise vivida pelos produtores de leite:

– Estamos de mãos atadas.

O argumento dos produtores e da indústria é de que as importações prejudicam a produção brasileira de leite – e também de arroz. Blairo e o secretário de Política Agrícola, Neri Geller, defendem a necessidade de alteração no acordo do bloco, mas explicam que é uma questão sobre a qual a pasta não tem ingerência – é papel das Relações Exteriores.

Na parceria comercial com a Argentina, por exemplo, o Brasil tem superávit de US$ 8 bilhões. No agronegócio, o retrato é outro: déficit de US$ 3 bilhões.

– O Mercosul é importante? É. Exportamos muito pelo bloco. Mas quem está pagando essa conta é o produtor – avalia Geller.

Ambos oferecem apoio para pressionar o Itamaraty. A sugestão é, ainda, para que os três Estados do Sul unam forças nessa briga.

– Daqui a pouco, pressionando, eles virão com outra solução, que pode gerar uma reação, para achar um caminho – avalia Ernani Polo, secretário da Agricultura do Estado.

Blairo ouviu muitos pedidos de representantes dos setores de leite, arroz, trigo e suínos. Presente no encontro, Tarcísio Hübner, vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, deu pelo menos uma boa notícia: produtores de leite poderão renegociar financiamentos de custeio – pagar 20% e prorrogar o restante em três parcelas anuais – e de investimento – adiado por um ano.

Em um ambiente como a Expodireto-Cotrijal, os resultados de uma gestão eficiente saltam aos olhos. Essa ação difundida no ambiente de grandes empresas se tornou uma realidade – e uma necessidade – também dentro do ambiente cooperativo. O tema pautou o Campo em Debate, evento realizado por Zero Hora na Casa da RBS.

Representando um bom exemplo, o superintendente administrativo-financeiro da Cotrijal, Marcelo Schwalbert, explicou como a cooperativa de Não-Me-Toque, que em 2017 faturou R$ 1,7 bilhão, é administrada:

– Trabalhamos com governança. Em resumo, há organização e atuação do quadro social.

Com uma escola superior e cursos de MBA voltados à preparação de profissionais, o presidente do Sistema Ocergs/Sescoop, Vergilio Perius, falou sobre as premissas da boa gestão:

– Precisa ser democrática e igualitária, com a presença de jovens e mulheres.

Paulo Pires, presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias (Fecoagro), disse que há três anos a entidade desenvolve um programa de autogestão para monitorar desempenho:

– Além de acender a luz amarela para problemas e comparar a situação das cooperativas, fornece itens para definir os próximos investimentos.

GESTÃO COOPERATIVA

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *