CAMPO ABERTO – CRISE REAL, NÚMEROS ILUSÓRIOS NA CHINA

Relatório da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) apontou que o número de suínos abatidos na China em razão da peste suína africana chega a 1,13 milhão. A cifra fica em 2,63 milhões se considerados países da Ásia com focos e reflete período desde o primeiro surto, em agosto de 2018, até 23 de maio deste ano.

Diante da grandeza do plantel chinês – cerca de 440 milhões de cabeças -, e de sinais vindos do mercado, analistas avaliam que a informação sobre abates está em descompasso com a realidade. Projeção do Rabobank fala em perda de 120 milhões a 170 milhões de suínos em 2019. Instituto local que busca vacina para a doença estima que 22% do rebanho já tenha sido eliminado.

– Às vezes há delay na comunicação oficial. Os indicativos de preço e o desespero no mercado são confirmadores de que a crise é grande – pontua Ricardo Santin, diretor de mercado da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

A habilitação de novas plantas para exportação e a inflação de preços são, para a indústria, evidências de que o problema é bem mais sério do que mostram os dados da FAO. Parciais de embarques de proteína animal brasileira em maio apontavam alta de 20% no volume em relação ao mês de abril.

Relatório de inflação do agronegócio, da Federação da Agricultura do RS, apontou valorização de 6% do suíno. Presidente da entidade e diretor de relações internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil, Gedeão Pereira esteve na missão do governo na Ásia e encontrou recentemente com o embaixador chinês em Brasília:

– Eles têm preocupação profunda e expectativa de comprar suínos do Brasil.

Diante da redução expressiva da produção – entre 13 milhões e 18 milhões de toneladas, segundo o Rabobank -, a China precisará buscar fora de casa a compensação.

– A crise se estenderá de três a cinco anos. Começam a ser feitos abates preventivos, de matrizes. E isso vai tendo efeito. A Rússia, após a doença, levou um ano e dois meses só para repovoar instalações de suínos – completa Santin.

CONHECER PARA RECONHECER

Um dos objetivos da 15ª edição da Semana Nacional dos Alimentos Orgânicos é ajudar o consumidor a reconhecer os produtos nos diferentes pontos de venda, incentivando também a regularização. Pesquisa feita pelo Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis) e usada como referência pelo Ministério da Agricultura mostra que a maioria das pessoas desconhece o selo de certificação.

O levantamento feito em 2017 mostra que só 8% dos consumidores identificam o selo de orgânico no momento das compras em estabelecimentos comerciais no Brasil.

– Isso para nós é preocupante, porque de fato existem estabelecimentos que estão comercializando produtos orgânicos sem se preocuparem com a regularização, porque também desconhecem as regras – observa Virgínia Lira, coordenadora de produção orgânica da pasta.

A regularização do produtor de orgânico pode ser de duas formas: por certificação de Organismo da Avaliação da Conformidade Orgânica credenciado no ministério ou por organização em grupo e cadastro para venda direta. Nesse caso, a venda só pode ser em feiras (ou direto ao consumidor) e para o governo.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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