CAMPO ABERTO – CRESCE PRESSÃO POR DECISÃO SOBRE 2,4-D

Ao endossar o pedido dos produtores atingidos pela deriva do 2,4-D e solicitar a suspensão do produto no Rio Grande do Sul, os deputados das comissões de Agricultura e de Saúde e Meio Ambiente reforçam a pressão sobre o Estado para que tome uma decisão.

A sinalização veio ontem em audiência pública realizada na Assembleia Legislativa, como mostra reportagem de Joana Colussi na página 21, e soma-se ao prazo dado há um mês pelo Ministério Público (MP), em outro encontro realizado para tratar do tema.

O órgão, que tem inquérito civil aberto, busca conciliar antes de tomar outra medida – como, por exemplo, a de solicitar à Justiça a descontinuidade do uso do herbicida em território gaúcho. O caminho dos tribunais costuma ser uma via complexa.

Mas o MP também sabe que há uma corrida contra o relógio. A janela até o período em que o produto é aplicado fica cada vez menor, o que exige pressa na tomada de decisão.

O fato de que pelo menos 16 deputados, de diferentes partidos, passaram ontem pela audiência no Plenarinho sinaliza que o assunto também começa a ganhar força no Legislativo. Aliás, projeto de lei do deputado Edegar Pretto (PT) para proibir a venda do herbicida no Rio Grande do Sul foi reapresentado e aguarda indicação de relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

O secretário da Agricultura, Covatti Filho, que coordena o grupo de trabalho e tem sido o porta-voz do governo nesse tema, não esteve no evento – a secretaria foi representada por técnicos. Questionado pela coluna sobre eventual possibilidade de suspensão, afirmou:

– O posicionamento continua o mesmo. Faremos série de ações e estudamos força-tarefa na questão de treinamento e fiscalização. A secretaria trabalhará com o objetivo de resolver o problema sem o extremo de suspender. A não ser que o grupo de trabalho vá por esse caminho.

O grupo de trabalho foi oficialmente criado no final de fevereiro. A primeira reunião ocorreu no dia 17 de abril. Na ocasião, o Estado apresentou um pacote com um totla de oito medidas para tentar conter a deriva. Rodadas de negociação estão sendo realizadas e novo encontro ainda não tem data definida, mas deve, segundo o secretário, sair ainda nas próximas semanas.

A REFORMA E AS PRIVATIZAÇÕES

Pró-reforma da Previdência, a Federasul convidou dois economistas para tratar do assunto no evento Tá Na Mesa. Igor Morais, da Vokin Investimentos, e Antônio da Luz, do Sistema Farsul, reforçaram a urgência de fazer mudanças no sistema brasileiro para reduzir o déficit criado. No mesmo dia, o ministro da Economia, Paulo Guedes, foi à Comissão Especial da Reforma da Previdência explicar e defender os pontos da proposta apresentada.

– Essa questão que era séria se tornou inadiável, porque ficou insustentável – ponderou Luz, ao lembrar que a necessidade de reformulação no sistema não vem de hoje.

Na mesma linha, Morais comparou:

– Passamos durante anos ao largo dessa questão. Agora, estamos no meio de uma tempestade e teremos de sair sem guarda-chuva.

Ele acrescentou que a reforma precisa ter viabilidade na Previdência, na política e também na economia:

– O que temos no projeto não vai eliminar, mas reduzirá o déficit.

Sem a reforma, as projeções apontam que o rombo de R$ 200 bilhões registrado em 2018 cresceria para R$ 1 trilhão, passando de 3% para 11% do PIB em 2060. Ao tratar dessa questão, a dupla pontuou ainda outra tema que é alvo de debate: as privatizações.

– O Brasil criou estatais para equacionar problemas, mas não termina com elas quando são resolvidos. A Conab é um exemplo. Tem garçom ganhando R$ 8 mil por mês – exemplificou Luz.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora