CAMPO ABERTO – CRÉDITO RURAL COM JURO CONTROLADO NA BERLINDA

Não é de hoje que a política de subsídios agrícolas é criticada. Mas em tempos de aperto nos limites de gastos do governo, as regras de financiamento ao agronegócio passam a ficar ainda mais na berlinda. Ontem foi a vez de o Banco Central (BC) defender a redução do crédito agrícola com juro controlado.

Em evento realizado em Brasília, técnicos do BC e do Ministério da Fazenda afirmaram que o governo não tem recursos suficientes para subvencionar todas as demandas do setor rural. A discussão em torno do subsídio ao crédito rural vem dando o que falar. A mais recente discussão foi protagonizada pelo presidenciável Ciro Gomes (PDT) e o presidente da Federação da Agricultura no Estado (Farsul), Gedeão Pereira, durante a Expointer.

Mas o fato é que o governo vem perdendo espaço na formação do financiamento agrícola nos últimos anos, assegura Leandro Reis Wallau, consultor de negócios da Central Sicredi Sul/Sudeste.

– A ideia de que a agricultura brasileira é subsidiada é muito baseada no passado. O governo vem reduzindo o valor equalizado para o crédito rural. O percentual já foi alto, hoje não é mais – afirma Wallau.

A equalização é justamente o valor investido pelo governo para equiparar a diferença nas taxas de juros – entre a cobrada do produtor e a de mercado. Mas em época de taxa Selic baixa, como agora, a diferença é pequena ou nula, explica. No caso da agricultura familiar, com juro menor, o valor equalizado pelo governo é maior – embora o volume de recursos seja pequeno.

O espaço deixado pelo governo no financiamento do crédito agrícola foi ocupado por fontes alternativas, como os depósitos compulsórios, caderneta de poupança e de recursos livres – como Letras de Crédito do Agronegócio (LCA). Em todos os casos, a fonte é privada.

Presidente da Comissão de Crédito Rural da Farsul e 1º vice-presidente da entidade, Elmar Konrad argumenta que a agricultura brasileira nunca teve um custo médio tão elevado para financiar as lavouras. Somando o juro, o seguro agrícola e as taxas obrigatórias, o peso do crédito chega a 20%, segundo o dirigente.

– É muito inoportuno querer mexer em um setor que dá sustentação à balança comercial do país – resume Konrad.

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JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora