CAMPO ABERTO – CORTES PREOCUPAM AGRICULTURA FAMILIAR

Aredução projetada para o orçamento da União no próximo ano impactará em cheio a agricultura familiar. É que entre as rubricas que devem encolher estão as de mecanismos fundamentais ao segmento, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O temor é de que a tesourada seja tão grande que acabe por inviabilizar a ferramenta, trazendo prejuízos a cooperativas e produtores que vendem sua produção dessa forma.

O tema deve pautar debate, amanhã, da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar. Segundo levantamento feito por técnicos do PSB na Câmara, a diminuição dos recursos do PAA seria de 70%.

– Esse percentual impossibilitará as vendas de muitas cooperativas. Terão de achar outros mercados – avalia Heitor Schuch (PSB), presidente da frente parlamentar.

O Ministério do Desenvolvimento Social contesta esse percentual e diz que o recuo previsto é de 42%. Mais do que isso, afirma que esse é um orçamento fictício, porque foi elaborado antes da ampliação do déficit da meta fiscal.

Em nota à coluna, a pasta informou que "com a nova meta aprovada pelo Congresso Nacional, haverá readequação nos recursos disponíveis". Acrescenta que há um trabalho permanente "para que nenhuma ação ou programa seja prejudicado ou interrompido".

A manutenção de verba para o programa é tida como fundamental por entidades do setor. A grande relevância do PAA está no fato de que a venda é exclusiva à agricultura familiar, ajudando a regular a comercialização.

– O programa mexe em dois gargalos: mercado e logística. A gente precisa desse apoio para ir tomando corpo e poder desenvolver a agricultura da região – afirma Cássio Benito Baptista, presidente da Cooperativa Regional de Alimentos de Santa Cruz do Sul (Coopersanta), que abrange oito municípios do Vale do Rio Pardo, e trabalha com 120 famílias.

Durante anos, a cooperativa forneceu alimentos para o PAA, mas desde 2014 a verba começou a "escassear". Em 2017, enviou projeto, mas não conseguiu se habilitar porque "havia pouco recurso".

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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