CAMPO ABERTO | Contagem regressiva para rastreabilidade de hortifrúti

Em pouco mais de uma semana, começa a valer a regra de rastreabilidade de vegetais e frutas frescas. O objetivo é fazer com que consumidores possam identificar onde e como foram produzidos os itens. Na prática, deverão ter etiqueta com dados do alimento, bem como do fornecedor, que precisará informar nome ou razão social, endereço completo, coordenada geográfica ou certificado de cadastro de imóvel rural.

A exigência vale não só para agricultor, mas também para processador, distribuidor e varejo. Ou seja: saiu da propriedade, precisa estar devidamente rastreado. Essa regra veio com instrução normativa publicada no ano passado e que entraria em vigor no início deste ano, mas acabou ganhando prazo extra para que houvesse tempo hábil de adaptação. Começa a ser exigida em 1º de agosto.

Favoráveis à ferramenta, entidades de produtores alertam, no entanto, que a dificuldade para atender à determinação se mantém, apesar da prorrogação.

– Foi possível avançar em alguns aspectos. Mas a gente sempre percebe que é mais complicado para o agricultor de pequeno porte. Seguimos preocupados – observa Adrik Richter, assessor de política agrícola da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).

A mudança será sentida também na Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul (Ceasa), principal fornecedor de hortifrúti do Estado. O presidente Ailton dos Santos Machado diz que o papel da direção tem sido o de orientação, por meio do grupo de trabalho Alimento Seguro:

– O grande problema é o produtor menor, sobretudo de folhosas, que tem só duas, três pessoas da família trabalhando. A agricultura familiar terá de dispor de mão de obra. E há questões práticas sobre como, por exemplo, etiquetar molhos de verduras.

A exigência entra em vigor de forma escalonada. Agora vale para citros (laranja, limão, lima-da-pérsia, entre outros), maçã, uva, batata, alface, repolho, tomate e pepino, cenoura, batata doce, beterraba, cebola, alho, couve, agrião, almeirão, brócolis, chicória, couve-flor, pimentão, abóbora, abobrinha, melão, morango, coco, goiaba, caqui, mamão, banana e manga.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora