CAMPO ABERTO – CONTA DE LUZ JÁ ESTÁ MAIS CARA NO CAMPO

Há mais de um mês mobilizados para tentar reverter o fim de descontos concedidos à tarifa de energia elétrica a produtores rurais, retirados pelo ex-presidente Michel Temer nos últimos dias de governo, agricultores já estão sentindo o impacto do fim dos subsídios. Em vigor desde 2002, o benefício garantia desconto nas contas básicas de 10% a 30%, dependendo do tamanho da propriedade. Os primeiros reflexos são notados pelos produtores com sistemas de irrigação, pois, apesar do decreto não ter mexido nos descontos específicos a irrigantes, o abatimento era cumulativo sobre a conta total de luz.

Segundo cálculos feitos pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), produtotores do Sul que se enquadram no grupo de baixa tensão (normalmente os familiares) terão aumento de pelo menos 32% na tarifa noturna. Os não irrigantes deverão pagar em média 8,5% a mais no primeiro ano de redução dos subsídios. Para as propriedades de alta tensão, a estimativa é de contas mensais 2,5% mais caras.

– O meio rural já é altamente deficitário em qualidade energética. Agora, além de ter um custo fixo maior, o produtor não terá como passar esse reajuste ao preço dos produtos, que são ditados pelo mercado – critica Gustavo Goretti, assessor técnico da Comissão Nacional de Irrigação da CNA, que aguarda audiência com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

O decreto presidencial determinou a redução dos descontos para produtores rurais em 20% ao ano, até chegar a zero daqui a cinco anos. No governo, técnicos dos ministérios da Economia e de Minas e Energia alegam que a revisão dos subsídios foi determinada por lei, depois que o Tesouro Nacional deixou de bancar os benefícios. Com isso, o custo de R$ 3,4 bilhões por ano passou a ser pago pelos consumidores de todo o país, segundo o governo federal.

Nesta semana, o projeto de decreto legislativo do deputado Heitor Schuch (PSB-RS), que prevê a suspensão dos efeitos da medida presidencial, recebeu requerimento de urgência para ser levado a votação em plenário.

– O projeto tem o apoio de mais de 40 entidades representativas do setor – informa o parlamentar.

A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) reforçou o pedido de retorno dos descontos à ministra da Agricultura, Tereza Cristina, quando ela esteve no Estado.

– Acreditamos que o caminho mais rápido neste momento seja a revogação total do decreto – considera Luis Fernando Cavalheiro Pires, assessor da presidência da Farsul.

Após dois anos com preços abaixo do custo, a safra de maçã deve voltar a remunerar os produtores gaúchos. A esperança vem da qualidade superior colhida em 2019. Com tempo favorável, as frutas estão maiores, com cores mais bonitas e sem ferrugem, diz o presidente da Associação Gaúcha de Produtores de Maçã (Agapomi), José Sozo.

– A safra será boa, mas ainda não tapa os rombos passados – pondera o dirigente, referindo-se aos preços menores praticados nos últimos dois ciclos.

SAFRA VISTOSA

Segundo Sozo, o custo médio de produção é de R$ 0,90 por quilo. Agora, a expectativa é de valores entre R$ 1,30 e R$ 1,40 para a gala, principal tipo de maçã cultivada no Estado. A safra gaúcha deve chegar a 470 mil toneladas, estima a Agapomi. O volume é semelhante a 2018.

A abertura oficial da colheita da maçã será amanhã, na propriedade de Sozo, em Monte Alegre dos Campos, município vizinho de Vacaria, onde no mesmo dia ocorre ato simbólico da safra de uva. O evento será realizado na Vinícola Campestre. Os 11 municípios dos Campos de Cima da Serra produzem uvas destinadas à elaboração de vinhos, espumantes e sucos. De acordo com estimativas do Ibravin e da Comissão Interestadual da Uva, neste ano deverá ser colhidos no Estado volume 20% menor em relação a 2018, quando a safra foi de 663,2 milhões de quilos.

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JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora

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