CAMPO ABERTO – CONAB TAMBÉM REVISA NÚMEROS DA SOJA NO RS

As revisões nas estimativas para a produção de soja e, por consequência, do total de grãos do Rio Grande do Sul só terminarão quando a colheita for concluída. Até lá, os dados seguirão sendo atualizados por entidades que monitoram os resultados das lavouras. Ontem, foi a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que ajustou suas planilhas.

Ao fazer a coleta de dados a campo, passando por regiões do Rio Grande do Sul impactadas pela estiagem, o órgão alterou o volume para 16,64 milhões de toneladas – 5,19% menor do que na estimativa do mês passado e 11,1% abaixo do ciclo passado. Com isso, o total de grãos produzidos na safra 2017/2018 também caiu, passando para 31,46 milhões de toneladas, o que seria o quarto melhor resultado de acordo série histórica da Conab.

A revisão acompanha o andamento da colheita, que chega a quase metade da área de soja e deixa os números mais próximos da realidade. Segundo Carlos Bestetti, auxiliar da superintendência no RS, os maiores prejuízos causados pela falta de chuva estão no Sul, na região de São Gabriel, Rosário do Sul, Pelotas, Dom Pedrito e Bagé – com perdas que chegam a ficar acima de 50%.

– Normalmente, em cinco anos, temos de dois a três verões secos e dois chuvosos. O que aconteceu no Estado nos últimos cinco anos foi atípico – observa Eloi Pozzer, gerente da regional de Bagé da Emater.

Ele avalia que as perdas deste ano na região poderão levar à redução de área do grão no próximo ciclo.

Na semana passada, o órgão também alterou as projeções feitas na Expodireto-Cotrijal e apontou safra de soja de 16,9 milhões de toneladas, como antecipou a coluna. E novos ajustes deverão ser feitos.

– Ainda há perspectiva de redução nos números, porque a soja com problemas é a que ainda falta colher. Além de pouca, a chuva foi mal distribuída – observa Bestetti.

A estiagem na Metade Sul também deve afetar os resultados do milho semeado por último, encolhendo ainda mais o volume, deixando um déficit entre consumo e produção de 2 milhões de toneladas, o que complica a situação das indústrias que têm no grão um importante insumo.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora