CAMPO ABERTO – CÂMBIO ABRE JANELA PARA VENDA DE SOJA

Com as vendas da supersafra de soja represadas nos últimos meses, em razão do preço interno pouco atrativo, os produtores gaúchos estão aproveitando a oportunidade trazida pela alta do dólar no câmbio brasileiro que fechou ontem a R$ 4,10 e pelos prêmios pagos nos portos brasileiros. O movimento no mercado financeiro fez com que o preço da oleaginosa subisse 6,6% em uma semana em Rio Grande, chegando ontem a R$ 81. Na segunda-feira da semana passada, a saca de 60 quilos era comercializada a R$ 76 no terminal gaúcho (veja mais abaixo).

– É a janela que o produtor estava esperando para conseguir margem maior de venda. Os negócios destravaram depois de seis meses – avalia Luiz Fernando Gutierrez Roque, consultor da Safras & Mercado.

Até o dia 10 de maio, segundo a consultoria, a comercialização da safra 2018/2019 de soja do Rio Grande do Sul chegava a 31% da produção estimada em 19 milhões de toneladas. A média histórica para o período no Estado é de 42%. Com a alta de preço na semana passada, a Safras & Mercado calcula que o percentual esteja hoje em 35%.

– Se o câmbio continuar nesse patamar, as vendas continuarão em ritmo mais acelerado – estima Roque.

A recuperação da cotação da soja vem em boa hora, já que a partir de maio, após o fim da colheita, começam a vencer os compromissos dos produtores – com bancos e fornecedores.

– As parcelas de custeio estão próximas do vencimento. Para quem não fixou venda futura ou está com contas a pagar, esse é um bom momento de comercialização – afirma Luis Fernando Fucks, presidente da Associação dos Produtores de Soja no Rio Grande do Sul (Aprosoja-RS).

Segundo o dirigente, a valorização de preço da soja melhorou um pouco o cenário, que tem se mostrado conturbado pela incerteza econômica:

– O dólar é o nosso grande coringa no mercado interno.

O aumento de preço da soja é atribuído também à sustentabilidade do prêmio pago nos portos, decorrentes do retorno da guerra comercial entre China e Estados Unidos. Nas últimas duas semanas, o bônus no terminal gaúcho para entregas em junho e julho se manteve acima dos 100 pontos – o que representa acréscimo de R$ 8 no preço final de venda. O valor é o dobro do pago no começo de maio.

A cotação do grão na Bolsa de Chicago, influenciada pelo atraso no plantio da safra americana, também vem ajudando a abrir janelas de oportunidades.

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora