CAMPO ABERTO – CLIMA E HISTÓRICO PARA ESCOLHER A SEMENTE DE SOJA

A escolha das cultivares de soja para a próxima safra deverá ganhar relevância ainda maior entre os produtores gaúchos por causa da lembrança fresca das diferenças de produtividade entre o norte e o sul do Estado no último ciclo, marcado por adversidades climáticas. Diante de uma previsão ainda incipiente de El Niño fraco, a recomendação técnica é de que o agricultor compare os resultados de ensaios nos últimos anos para uma tomada de decisão técnica, e não baseada no achismo:

– É importante conhecer o histórico das cultivares testadas dentro de cada microrregião, buscando o máximo de informações – ressaltou Kassiana Kehl, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento da Fundação Pró-Sementes, durante divulgação do desempenho de cultivares de soja indicadas para o Rio Grande do Sul, realizado em parceria com a Federação da Agricultura no Estado (Farsul).

O estudo, executado em diferentes regiões agrícolas, apontou as variedades mais produtivas na última safra, em análise que envolveu as 43 cultivares mais comercializadas. Cerca de 80% são materiais com a tecnologia Intacta – segunda geração de soja transgênica desenvolvida pela Monsanto, hoje pertencente à Bayer.

O estudo mostrou amplitude de produtividade determinada pela escolha da cultivar. No município de Santo Augusto, no noroeste do Estado, o máximo de rendimento obtido foi de 91 sacas por hectare e o mínimo de 67 – uma diferença de 24 sacas por hectare.

– Significa dizer que a escolha equivocada resultou em uma perda de quase R$ 2 mil por hectare, a preços atuais da soja. Por isso, o ideal é fazer escalonamento entre diferentes cultivares – disse Kassiana.

A perspectiva de El Niño fraco na próxima safra deverá ser levada em consideração na hora da tomada de decisão. A preocupação é justificada pelo histórico: duas grandes secas no Estado, em 2012 e 2005, ocorreram justamente sob a influência de El Niño fraco, lembra Elmar Konrad, vice-presidente da Farsul.

Para a próxima safra de soja, a expectativa da entidade é de leve aumento da área de soja cultivada no Rio Grande do Sul – motivada especialmente pelas oportunidades de mercado geradas ao produto brasileiro diante da guerra comercial entre China e Estados Unidos.

– Os prêmios pagos nos portos estão compensando a baixa do preço, em bushel. Embora os custos tenham aumentado, as condições ao Brasil ainda são favoráveis – avalia Gedeão Pereira, presidente da Farsul.

A relação entre bovinos angus e brangus irá além do resultado de cruzamento de raças. As associações brasileiras de criadores assinarão, em 26 de agosto, durante a Expointer, em Esteio, protocolo de intenções para começarem trabalho de parceria.

– Queremos aumentar a aproximação com a associação de brangus para realizarmos ações em conjunto, reduzir despesas e valorizar as duas raças – explica o presidente da Associação Brasileira de Angus (ABA), José Roberto Pires Weber.

Com criadores em comum, as duas entidades pretendem compartilhar a gestão de núcleos regionais, as agendas de remates e a participação em exposições. As iniciativas servirão ainda para aumentar as inscrições de exemplares em eventos, como na Expointer. Nesta edição, a raça angus levará novamente o maior número de bovinos de corte à feira agropecuária: serão 127 exemplares – 15,5% a mais do que no ano passado. Já a raça brangus terá 57 animais, decréscimo de 3,4%.

Ainda durante a Expointer, no dia 30, as duas entidades promoverão o seminário Cruzamento Industrial 3.0, para discutir o aproveitamento das fêmeas meio-sangue (cruza angus e nelore) nas regiões centro-oeste e norte do país. Uma das alternativas é o cruzamento com bovinos ultrablack, raça sintética resultante da cruza de animais 80% angus e 20% zebuíno, originária da Austrália. A raça, registrada em 2017 no país, tem biotipo adaptado ao Brasil Central, principal fronteira para crescimento da pecuária brasileira. A UNIÃO FAZ AS RAÇAS

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora

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