CAMPO ABERTO – CHUVA ENCOLHE R$ 6,68 BI DO PIB DO RS

Depois que as águas baixaram, foi possível medir com maior precisão o tamanho do estrago causado à produção agropecuária do Rio Grande do Sul. E ele é ainda maior do que se estimava. Levantamento feito pela Federação da Agricultura do Estado (Farsul) revela que o impacto do mau tempo no Produto Interno Bruto (PIB) gaúcho deverá ser de R$ 6,68 bilhões. Apenas em faturamento, serão R$ 2,02 bilhões em perdas no arroz, soja e milho.

Em cálculo divulgado pela Fipe, o PIB do Rio Grande do Sul somou R$ 375 bilhões em 2017. A perda estimada pela Farsul significa quase 2% do total do indicador.

Os dados foram apurados pela assessoria econômica da entidade, com base nas informações coletadas em 13 regionais da organização. A produção dos três principais grãos de verão do Rio Grande do Sul também ficará 1,76 milhão de toneladas menor (veja abaixo).

A cultura mais afetada é a da soja, que terá redução de 1,04 milhão de toneladas, com R$ 1,43 bilhão de perda em faturamento. Depois vem o arroz, com recuo de 683,75 mil toneladas e queda de R$ 571,6 milhões no valor bruto da produção.

Apesar dos maiores prejuízos estarem concentrados na Fronteira Oeste e na Campanha, onde as enxurradas foram mais intensas, o impacto na produção foi sentido também em outras áreas.

– A situação mais assustadora é da lavoura de arroz, que vem de sequência de anos ruins. Precisávamos de seguro agrícola efetivo. Não existe ainda algo que dê segurança ao produtor – diz Gedeão Pereira, presidente da Farsul.

No caso do arroz, além da redução de volume causada pela chuva, a queda de área plantada acrescenta outros 40% de recuo na produção.

É por isso que vêm sendo buscadas medidas para auxiliar os produtores. O Banco do Brasil pode anunciar renegociação das dívidas (a expectativa é de que possa divulgar na abertura da colheita do arroz, na sexta). No mês passado, quando a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, esteve no Estado, documento sugeria a securitização do passivo. Com os dados em mãos, a Farsul senta à mesa para negociar com o secretário de Política Agrícola, Eduardo Marques, na quinta-feira.

GEOGRAFIA DAS PERDAS

Em volume e em faturamento, a cultura da soja foi a que teve o maior tombo em relação à projeção no início da atual safra, aponta estudo apresentado pela Federação da Agricultura do Estado. Mas os produtores de arroz devem sentir com maior força o baque, em razão de estarem acumulando prejuízos ao longo das últimas colheitas.

Os estragos causados pela chuva registrada foram verificados em 278 municípios. Cinco deles têm redução de mais de 50 mil toneladas no total de grãos: Dom Pedrito, São Gabriel, Alegrete, Itaqui, Cachoeira do Sul e São Vicente do Sul.

No arroz, 50% das perdas estão na região da Fronteira, com Uruguaiana tendo a maior redução absoluta e Candiota, o maior recuo percentual.

Na soja, os danos estão mais espalhados pelo RS, com Dom Pedrito acumulando o maior volume de prejuízo, em números absolutos e em percentuais.

– Somente duas regionais não foram afetadas – explica Danielle Guimarães, economista da Farsul.

No milho, que teve danos bem menores entre as três principais culturas de verão, o principal encolhimento será em São Luiz Gonzaga (números absolutos). Percentualmente, Palmares do Sul, Cidreira e Capivari do Sul apresentam as maiores perdas.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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