CAMPO ABERTO – CERCO AO ARROZ IMPORTADO SE FECHA

Na tentativa de frear a entrada do arroz do Mercosul, em especial do Paraguai, a Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS) solicitará ao governo federal medida de salvaguarda. O mecanismo tem como objetivo proteger um setor por meio de aumento de imposto de importação ou de restrição de quantidade. O pedido deve ser protocolado nas próximas semanas e soma-se à série de ações que tentam diminuir a crise do setor arrozeiro.

Diretor jurídico da entidade, Anderson Belolli explica que existem alguns pré-requisitos para que a medida técnica seja adotada. E que, no caso do arroz, são preenchidos:

– Passou a entrar mais produto no país com preço abaixo do mínimo vindo do Paraguai. E isso causa danos a um setor específico, prejudicando a concorrência.

Dados referentes à importação do cereal (veja ao lado) comprovam que a entrada do arroz paraguaio vem crescendo de forma significativa. Diretor comercial do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Tiago Barata alega que, ao comparar a quantidade de cereal beneficiada no Rio Grande do Sul e a importada do Paraguai, é possível verificar "processo de substituição de um produto pelo outro":

– Os centros consumidores estão se abastecendo prioritariamente do arroz importado. É um produto que entra com custo de produção mais baixo e valor muito inferior ao do Rio Grande do Sul.

O diretor comercial acrescenta que pelo menos três razões explicam por que o produto paraguaio ganhou espaço em território brasileiro: menor custo, proximidade dos centros de consumo e o fato de uruguaios e argentinos já terem outros mercados desenvolvidos, além do Brasil.

A Federarroz deve entrar ainda com ação civil pública de caráter fitossanitário (para a realização de análises que mostrem se os países do Mercosul usam ou não agroquímicos proibidos no Brasil). Ontem, a entidade, ao lado de integrantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS), teve reunião com o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, para tratar do pedido de intervenção – imposição de cotas ou distribuição escalonada das vendas – para o cereal do Mercosul. É pressão total para deixar o arroz no ponto.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte: Zero Hora

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