CAMPO ABERTO – Cenário nebuloso para soja no Exterior

A soja, principal commodity exportada pelo Rio Grande do Sul, é o produto com perspectiva mais incerta este ano em razão do cenário internacional. Com o acordo entre Estados Unidos e China, os asiáticos se comprometeram a incrementar o volume de importação dos americanos em US$ 32 bilhões nos próximos dois anos. O tratado, que elevará as vendas do grão norte-americano, deve reduzir o prêmio de exportação do produto brasileiro.

– O cenário não é tão favorável, mas é importante destacar que, em meados de 2019, era quase catastrófico, o que não se concretizou. Embora os embarques tenham caído, segmentos do agronegócio tiveram crescimento. A queda do complexo poderia ter sido maior, tendo em vista a retomada, embora parcial, das compras da China da soja norte-americana no ano passado – explica Sérgio Leusin Jr., economista do Departamento de Economia e Estatística (DEE) da Secretaria de Planejamento.

As exportações do complexo soja do Rio Grande do Sul somaram US$ 4,9 bilhões no ano passado, retração de 23,3% na comparação com 2018. Essa queda foi compensada em parte pela ampliação dos embarques de produtos florestais (que somaram US$ 1,54 bilhão, aumento de 46,4%), carnes (US$ 1,68 bilhão, expansão de 35,1%) e fumo e produtos (US$ 1,77 bilhão, alta de 13,9%).

Enquanto será necessária análise mais acurada para avaliar o impacto do acordo entre os dois maiores compradores mundiais para a soja, no mercado doméstico a perspectiva é positiva.

Isso porque o óleo extraído da soja é matéria-prima para biodiesel, setor que vem crescendo no país. Pelo RenovaBio – que trata da política nacional de biocombustíveis -, a partir de março, a adição mínima de biodiesel no diesel comercializado no país passará a ser de 12%, subindo para 15% até 2023.

Também o crescimento do mercado de carnes aumenta a demanda pelo grão, que é utilizado na ração animal. Ainda que os norte-americanos tenham preferência para exportar proteína animal para a China em razão do acordo fechado este ano, o Brasil já atende o mercado e as vendas seguem em expansão.

Rodrigo Feix, economista da DEE, vê cenário positivo no setor de carnes:

– A redução de matrizes suínas na China não será restabelecida no curto prazo. Nos próximos dois anos, vamos sentir estímulos derivados da peste suína africana no setor de carnes, com possível aumento das exportações.

Mesmo com a entrada dos Estados Unidos, Feix detalha que o impacto dependerá da capacidade de oferta dos produtores norte-americanos.

É grande a expectativa para a 9ª Abertura da Colheita do Milho, que ocorrerá hoje em Chiapetta, na região Noroeste. Serão divulgados números de estimativa de safra do cereal, que deverá ficar 20% e 30% inferior à previsão inicial de 5,94 milhões de toneladas. Também será lançado pelo governo o Programa Estadual de Produção e Qualidade do Milho (Pró-Milho RS).

karen.viscardi@zerohora.com.br

KAREN VISCARDI – INTERINA

Fonte : Zero Hora

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