CAMPO ABERTO – CAMPO ABERTO

Colaborou Joana Colussi

Cortes deixam assentados sem assistência técnica

As restrições ao orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deixaram os assentados da reforma agrária no Rio Grande do Sul sem o amparo de assistência técnica. Desde setembro do ano passado, os contratos firmados com Emater, Cooperativa de Prestação de Serviços Técnicos (Coptec) e Centro de Tecnologias Alternativas Populares (Cetap) foram rompidos. Com isso, as famílias atendidas por essas entidades ficaram sem uma ferramenta fundamental para planejamento, execução e acompanhamento do processo produtivo.

– Neste momento, não há nenhuma política pública que atenda ao programa dos assentamentos no Estado. O que existem são ações das cooperativas dos assentamentos, que mantêm no quadro de apoiadores profissionais dessa área – diz Álvaro Dellatorre, presidente da Coptec.

Ele acrescenta que o programa vinha sofrendo desde 2016, quando houve corte de 50% do valor, que reduziu ações desenvolvidas. A situação seguiu neste ritmo até setembro, quando os contratos foram rompidos "unilateralmente". Iniciou-se negociação com a superintendência do Incra, mas o programa foi descontinuado.

– Tem agricultor que fica simplesmente perdido sem assistência técnica. Tivemos muitos desistindo da atividade – afirma Arnaldo Soares Borges, do grupo gestor da Cooperativa dos Trabalhadores Assentados da Região de Porto Alegre.

Dellatorre lembra que, em muitos casos, os assentados são colocados em regiões sem tradição produtiva, com características diferentes do local de origem:

– Há um processo de aprendizagem que é de longo prazo. A organização dessas cadeias produtivas não é algo que se constrói só com as forças dos agricultores.

Por meio da assessoria, o Incra informou que o rompimento ocorreu por "questões relacionadas a restrições orçamentárias". Acrescenta que os contratos "apresentavam valores incompatíveis com a realidade" orçamentária. Para tentar ampliar os recursos, tem feito contato com parlamentares para que apresentem projetos de alteração da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Diz ainda que os assentados, na condição de agricultores familiares, podem solicitar assistência técnica pública – como a prestada pela Emater. O Estado tem 345 projetos de assentamento, com 12.413 famílias.

Wilson Vaz de Araújo assumiu a secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura em substituição a Neri Geller, que disputará as eleições. Araújo era diretor de Crédito e Estudos Econômicos do ministério.

colheita de soja ganha força no rs

O Rio Grande do Sul abriu oficialmente a colheita da soja em cerimônia realizada em Tupanciretã, município com a maior área cultivada – 149 mil hectares, segundo a Emater.

No campo, o trabalho das máquinas vai ganhando ritmo em todo o Estado. Em Tapera (foto abaixo), no Norte, as famílias Dallanora e Pasinato estão com mais da metade da colheita concluída. Em parceria, cultivam 160 hectares. Até agora, o rendimento não deixou a desejar: média de 65 sacas por hectare.

– É um pouco a menos do que no ano passado, mas mesmo assim é uma safra muito boa – avalia Celso Dallanora.

A produtividade menor, de 8% a 10%, é atribuída à falta de chuva durante 15 dias em fevereiro – justamente na fase de enchimento de grãos:

– Algumas partes da lavoura estão com falhas, mas são defeitos pontuais.

O bom rendimento é resultado da tecnologia aplicada. As diferenças na produção de soja no norte e no sul do Estado serão tema de reportagem especial do caderno Campo e Lavoura do próximo final de semana.

DO BOCAL À GRANDE FINAL

Após quatro dias de competição no Bocal de Ouro, 16 conjuntos garantiram ontem vaga para a final do Freio de Ouro. A prova de inéditos da raça crioula, uma das principais classificatórias, foi realizada no parque Assis Brasil, em Esteio.

A maior nota da etapa foi da égua Xiba do Infinito, da Agropecuária Infinito, de São Sepé, montada pelo ginete Miguel Souza (foto). O conjunto alcançou 20,699 pontos.

– É uma excelente égua, de muito temperamento e mansa, que fez uma excelente pontuação concorrendo com fêmeas muito qualificadas na pista – avaliou Roberto Davis, proprietário do animal.

Entre os machos, o primeiro lugar ficou com o cavalo Assuero do Rancho Aruanã, das Cabanhas KLE e Querência Crioula, de Parobé e Morro Redondo, respectivamente, guiado pelo ginete Cézar Augusto Freire.

– Há muitos anos esse cavalo vem sendo preparado para que pudesse ter o seu melhor momento agora – contou Karine Cruz, da Cabanha KLE, criadora do cavalo.

A partir de agora, as atenções dos crioulistas se voltam à FICCC, considerada a "Copa do Mundo" do Cavalo Crioulo, que ocorre de 14 a 20 de maio, também em Esteio, onde será realizada mais uma classificatória ao Freio de Ouro. A competição é promovida pela Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos (ABCCC).

Obras retomadas

Com a liberação dos recursos, as obras do pavilhão da agricultura familiar no parque da Expoagro-Afubra, em Rio Pardo, devem ser retomadas nesta semana. Com a confirmação de que os R$ 926,25 mil estavam disponíveis no sistema e deveriam ser depositados hoje, a prefeitura fez contato com a empresa responsável pela obra, a Concregial, para que retorne às atividades.

– Eles já foram informados sobre a chegada dos recursos. É uma obra rápida – explica Deizimara Souza, coordenadora da central de projetos e convênios da prefeitura de Rio Pardo.

Pouco mais de 10% da construção foi executada – os trabalhos começaram em janeiro, mas foram paralisados em razão do atraso no pagamento. Os recursos vêm de emenda parlamentar do deputado Heitor Schuch (PSB), aprovada em 2016.

O pavilhão terá 1,5 mil metros quadrados e abrigará as agroindústrias familiares que participam da Expoagro. Sem o espaço definitivo, era necessário organizar uma estrutura de lona para abrigar os empreendimentos.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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