CAMPO ABERTO – CAMPO ABERTO

Royalties da soja: como está, não dá para ficar

Com o entendimento de que o sistema de cobrança de royalties da segunda geração de soja transgênica precisa ser revisto, entidades do agronegócio do Rio Grande do Sul voltam a se reunir, amanhã, para tratar do tema. Em abril, encontro também realizado na Federação da Agricultura do Estado (Farsul) mostrou que havia descontentamento – antigo – com a taxa de 7,5% cobrada sobre a produção (na moega), e com a postura dos auditores que fazem a conferência da carga entregue. Segundo relatos, atuariam em algumas empresas ou cooperativas e não em outras, por vezes próximas, gerando condição desigual.

– Faremos a discussão para ver o que as bases de cada entidade deram como alternativa. Todo mundo está achando muito caro o valor cobrado. Se baixasse o preço, mais gente pagaria – afirma Elmar Konrad, vice-presidente da Farsul.

Uma das entidades que questiona o modelo atual de cobrança da Intacta RR2 Pro, da Monsanto, é a Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (Fecoagro).

– Temos um posicionamento de que o sistema, como está, não pode ficar. Mas ainda não definimos o que fazer daqui para frente – observa Paulo Pires, presidente da Fecoagro.

No início de abril, a Cotripal, de Panambi, no Noroeste, chegou a suspender o contrato com a Monsanto, deixando de recolher, temporariamente, royalties sobre a produção entregue.

Também amanhã, a Farsul tem, na parte da tarde, encontro com executivos da Monsanto (agora já da Bayer). A empresa confirma agenda na Capital, que classifica como reunião de trabalho, para ouvir e trocar ideias.

sinal fraco no meio rural

Até o final do mês, a Famurs segue mapeando a qualidade da telefonia móvel e internet no campo. Balanço parcial comprova a percepção de que o serviço deixa muito a desejar (veja abaixo).

A ação partiu da subcomissão de Telefonia, Internet e Serviços no Meio Rural da Assembleia, sob relatoria de Elton Weber (PSB). A ideia é apresentar os resultados em seminário do MP em agosto.

no radar

A Feira de Agricultores Ecologistas, que ocorre todo sábado na Avenida José Bonifácio, junto ao parque da Redenção, em Porto Alegre, terá dia 23 sua festa junina. Entre as atrações estará a Rádio Feira, por meio de sistema que permite a sintonia em FM da programação transmitida ao vivo no raio de um quilômetro. A feira, que conta com 47 bancas de 140 famílias, se estende das 7h às 13h.

proximidade da produção

Presente em 92% dos municípios do Rio Grande do Sul, o Sicredi conseguiu se descolar do mercado no ano-safra que termina no próximo dia 30. Enquanto a crise econômica fez encolher os depósitos à vista e de poupança (de onde vêm os recursos para os financiamentos do setor primário) em outras instituições financeiras, a cooperativa registrou crescimento de mais de 30% na captação de recursos que originam o crédito rural. O resultado foi, conforme dados até abril, crescimento de 11,39% nos valores liberados para financiamentos do setor (veja gráfico).

– Ocupamos um papel estratégico. Um lado é social, mas o outro é de fortalecimento da economia do município. É o dinheiro da comunidade que financia a produção – avalia Gerson Seefeld, diretor-executivo do Sicredi.

Para 2018/2019, o montante liberado deve alcançar R$ 6,7 bilhões no RS e R$ 6,93 bilhões somando Santa Catarina.

A proximidade com a comunidade – no Estado, dois terços dos municípios têm menos de 10 mil habitantes -, acrescenta Márcio Port, vice presidente da Central Sicredi Sul-Sudeste, também faz a relação de confiança se traduzir em números: a inadimplência é de só 0,15%.

campanha A favor do voto

No mesmo dia em que começa o seu 11º Congresso Estadual, a Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS) dá a largada em campanha que se estenderá até as eleições. O objetivo é incentivar agricultores e sociedade em geral a não votar em branco ou nulo.

– Entendemos que isso é pior para nós. Quanto menos gente votar, maior é a chance que o mau político tem de se eleger. Não queremos dizer em quem votar, mas sim enfatizar a importância da escolha – afirma Carlos Joel da Silva, presidente da Fetag-RS.

A ação se dará por meio de panfletos e de propaganda, com textos que ajudam a desfazer mitos em relação aos votos brancos e nulos.

O Congresso da entidade segue até amanhã. Nesses dois dias, além de palestras referentes ao cenário econômico e político, serão discutidas as prioridades da federação, a partir de propostas apresentadas pelas 23 regionais que estarão presentes.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora