CAMPO ABERTO – CAMPO ABERTO

Pescados também fora da UE

Não são só os frigoríficos de frango que penam com a suspensão de embarques para a União Europeia (UE). Desde janeiro, as exportações de pescados também não estão sendo realizadas, por medida adotada pelo Ministério da Agricultura brasileiro. O impacto aparece nos números do setor. O Rio Grande do Sul, terceiro maior exportador deste produto do país, foi o Estado que mais perdeu com isso. No primeiro trimestre de 2017, as vendas para o bloco somaram US$ 5,1 milhões. Agora, foram reduzidas a zero. No Brasil, o recuo no faturamento no primeiro trimestre é de 34%.

A situação preocupa também pelo efeito em outros compradores.

– Isso já está provocando aviltamento de preços no mercado internacional. O prejuízo não é só pelo que se deixa de vender, mas sim do comportamento dos outros mercados. Seja na questão preço ou até na desconfiança do produto – alerta Torquato Ribeiro Pontes Netto, presidente do Sindipesca-RS.

Um dos principal itens vendidos à Europa é o atum – 60% desse tipo de peixe é processado por empresa gaúcha. E agora é justamente o momento de produção, o que complica ainda mais as compras.

– O mercado sabe que estamos sem poder fornecer à Europa e, por conta disso, ficamos com uma maior oferta disponível. Isso está prejudicando as vendas nacional e internacionais – complementa Alexandre Espogeiro, presidente do Coletivo Nacional da Pesca e Aquicultura (Conepe).

A determinação do governo brasileiro ocorreu pouco depois da vinda de missão da UE ao país. A exemplo do que fez com o frango, o ministério se antecipou a eventual retaliação do bloco.

– Não tivemos problema com o pescado na Europa. O governo se acautelou para não haver prejuízo maior, mas não estamos vendo nenhum andamento positivo. E isso realmente nos preocupa bastante – desabafa Netto.

no radar

PARA concretizar a compra da Monsanto, a Bayer anunciou ontem a venda de mais ativos da Crop Science para a Basf.O negócio é de 1,7 bilhãode euros.

Maratona de tecnologia

Vinte e quatro horas pensando em soluções para problemas reais do agronegócio. Esse será o desafio dos participantes do Hackaton do Agro, que ocorre a partir das 17h de sábado dentro da programação da 22ª Fenasoja, em Santa Rosa.

A inspiração veio do Vale do Silício, nos Estados Unidos, onde empresas organizavam maratonas de programação para resolver desafios nas suas operações.

O evento de Santa Rosa é organizado em parceria com a AGCO (dona das marcas Massey Ferguson e Valtra), que levará problemas a serem resolvidos.

– A solução normalmente é na área de tecnologia, algum aplicativo, site, nova forma de se comunicar, processo novo – explica Gustavo Hansel, integrante do Movimento Conecta e um dos organizadores do Hackaton.

Com representantes de 68 cooperativas presentes, em um total de 368 votos, a Ocergs elegeu ontem a diretoria para 2018-2022. O presidente, Vergílio Perius, contratado pela direção, continuará no cargo.

debate das exportações de bovinos vivos

Além de promover audiência pública em Rio Grande, a deputada Regina Becker (PTB) pretende apresentar projeto de lei que trate da movimentação de cargas vivas no Estado. As iniciativas reacendem o debate em torno da exportação do gado em pé, vista como alternativa para pecuaristas. A coluna conversou com a parlamentar e com o presidente da Associação Brasileira de Angus (ABA), José Roberto Pires Weber. Confira trechos das entrevistas.

ENTREVISTA

Regina Becker

Deputada estadual (PTB)

Por que fazer audiência pública?

Quando os animais estão sendo embarcados, não resta dúvidas do acúmulo de dejetos que produzem, e isso tudo é colocado no mar. Foi o que aconteceu em Santos (onde lei impedindo o transporte de cargas vivas foi aprovada). Eles têm laudos técnicos do alto grau de poluição nas águas das praias de Santos. E tem a movimentação das carretas de transporte do gado.

Existe a ideia de apresentar projeto de lei semelhante ao de Santos?

O projeto está formatado e será protocolado assim que tivermos a audiência. Tenho certeza de que terá a mesma tratativa de tantos outros, de ficar na gaveta de um deputado, sem seguir o rito legislativo. Por interesses comerciais.

Como fica o produtor?

Quem tem gado de raça não vai vender para se submeter a esse tipo de coisa. Eles vão comprando de pequenos produtores, que não são grandes pecuaristas, e vão estocando esses animais. O verdadeiro pecuarista, aquele que cuida do gado, duvido que concordaria em submeter a esse tipo de crueldade.

Já entrou em navio de gado em pé?

Não, porque não foi permitido. Vi imagens da Animals International, que defende o não transporte de gado em navio pela instabilidade de estrutura. Trinta por cento dos animais chegam ao destino com fratura exposta. Muitos são mortos, pisoteados, há escuridão absoluta.

José roberto pires weber

Presidente da ABA

O que acha da audiência pública?

Acho que a deputada está distante da realidade. Não sabe como animais são tratados na propriedade. Os pecuaristas tratam bem, de forma que esses animais possam ser negociados. Antes do embarque, ficam em quarentena. São transportados no navio com todo o conforto. Porque é óbvio que os turcos (a Turquia é o destino das exportações do RS) não pagarão R$ 6,50 o quilo para receber animais mortos. Não há espaço para maus-tratos.

Já entrou em navio que transporta gado em pé?

Não, mas vi vídeo. O bebedouro dos animais é de aço inoxidável. É uma viagem que dura 15 dias, e os animais são bem alimentados. Ela (deputada) deve ter visto vídeos de outros países, onde houve problemas.

Só pequenos produtores vendem?

Se forem também os pequenos produtores, que bom, porque estão sendo muito bem remunerados. Eu sou produtor de animais de qualidade e estou vendendo. Não tem preço mais remunerador do que o da exportação, a R$ 6,50 o quilo. Hoje vende para exportação quem tem terneiro inteiro (não castrado).

Vê espaço para alteração na lei?

Não acredito que haja espaço para alterar a lei, e avalio que a venda de bovinos vivos seja um bom negócio tanto para o pecuarista gaúcho quanto para o porto de Rio Grande.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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