CAMPO ABERTO – CALENDÁRIO AGRÍCOLA À MÃO

Depois do problema relatado por produtores de arroz do Rio Grande do Sul, de dificuldade de acesso a financiamentos, o Ministério da Agricultura sinaliza que as portarias com os períodos de plantio das culturas de verão serão publicadas até o final da semana. A Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS) disse que foi informada de que a publicação do zoneamento agrícola de risco climático do cereal sairia hoje.

– A agilidade no financiamento dos custeios é importantíssima no sentido de não perder oportunidade de negócios – pondera Alexandre Velho, vice-presidente da Federarroz.

Responsável por 60% do crédito rural, o Banco do Brasil relata que seguiu fazendo contratações normalmente, usando o calendário anterior como referência.

Ontem, grupo de entidades voltou a se reunir na Federação da Agricultura do Estado (Farsul) para avaliar o estudo técnico que embasará o calendário da soja. O cuidado de apresentar as informações previamente deve-se à confusão no zoneamento do ano passado. O primeiro cronograma, divulgado em julho de 2017, trouxe recomendações de plantio fora do período habitual observado no Estado. Mobilização levou à revisão e à publicação de nova portaria.

– A Embrapa de Passo Fundo, que assumiu responsabilidade de fazer o estudo técnico, apresentou os resultados em primeira mão no final do mês passado – explica Elmar Konrad, vice-presidente da Farsul, mencionando reunião realizada em junho.

O dirigente conta que foram feitas considerações sobre a proposta. A primeira foi a sugestão para alteração da escala do grau de maturação. A segunda, de que fossem analisados municípios não contemplados no mapa de plantio apresentado, para que possam seguir com o cultivo do grão. E, por fim, que seja verificada a possibilidade de considerar a tecnologia usada para determinar o nível de risco.

Se realizar o plantio fora do período determinado pelo Ministério da Agricultura o produtor fica desprotegido – não consegue acessar seguro rural em caso de intempérie. Por isso a ferramenta é tão aguardada.

Com o plantio do trigo chegando ao final – somava 88% da área prevista na última semana, segundo a Emater -, o espaço dedicado à principal cultura de inverno no Estado vai ficando mais definido. Ontem, em novo levantamento, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) revisou os números de 2018 em relação aos 699,2 mil hectares semeados em 2017.

Estima-se agora redução de 0,5% para este ano, com área de 695,7 mil hectares para o cereal. Um panorama bem diferente do início do ano, quando os resultados negativos da safra anterior ainda causavam desestímulo, fazendo agricultores e entidades projetarem recuo maior.

– É uma redução pequena – observa José Bicca, superintendente regional da Conab no RS, em relação ao dado atual.

Coordenador técnico da Câmara Setorial do Trigo da Secretaria da Agricultura, Altair Hommerding observa que há, inclusive, tendência de que a área possa até passar a do ano passado:

– Com a elevação do preço do trigo, muitos produtores revisaram o plantio.

Ele acrescenta que não existe espaço para encolhimento ainda maior. Para dar maior estabilidade ao produtor, uma das propostas é segregar o cereal. MELHOR QUE O PREVISTO

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora