CAMPO ABERTO | Caio Cigana SILVICULTURA ESPERA SEGURANÇA JURÍDICA

 

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    Tramita em regime de urgência na Assembleia e começa a trancar a pauta na próxima semana o projeto de lei que tenta desburocratizar e tornar mais claras as regras para o licenciamento ambiental da silvicultura no Estado. A pressa na apreciação do texto, cujas linhas gerais são debatidas há oito anos, se deve à aproximação do fim do prazo 5 de dezembro para que os produtores regularizem as suas florestas.
    O problema, sustenta a Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), é que as regras, contidas em uma portaria, não têm procedimentos nem condicionantes claros, gerando divergências de interpretação até mesmo entre técnicos. A situação, diz o presidente da entidade, Diogo Leuck, fez com que um grande número de pessoas com pequenas áreas de florestas deixasse de encaminhar a situação a tempo. Sem a aprovação da lei, cairão na ilegalidade.
    – Estimamos que entre 100 mil a 150 mil hectares de florestas não tenham licenciamento no Estado, de uma área total de 600 mil hectares. Com essa nova lei, será possível se regularizar – diz Leuck, que calcula em “milhares” o número de propriedades hoje nesse vácuo.
    O presidente da Ageflor ressalta que o texto é resultado de um consenso entre as secretarias que cuidam da preservação e da produção. A ideia é ter segurança jurídica ao estabelecer novos parâmetros e dar agilidade ao processo, mas sem descuidar da parte ambiental, afirma a Ageflor.
    A complexidade do licenciamento aumenta conforme a extensão. Para áreas de apenas 30 hectares de eucalipto, por exemplo, será necessário apenas um cadastro. O nível de detalhamento fica maior de acordo com o espaço, chegando até à necessidade de EIA-Rima.
    – Hoje, quem tem um ou dois hectares tem de entregar a mesma documentação de quem tem 800 hectares – compara.
    Outro ponto importante: as definições de políticas relacionadas à área passam da Secretaria do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável para a Agricultura, embora fiscalização continue a cargo da pasta original.

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    Boi gordo, preço magro
    O preço do boi gordo pago ao produtor gaúcho semana passada ficou em R$ 4,87 o quilo vivo, 10% abaixo do mesmo período do ano passado, mostrou o boletim conjuntural da Emater. A remuneração menor é resultado da demanda em queda, reflexo da crise, e do recuo das exportações nos últimos quatro meses seguidos, consequência também da queda do dólar no período.
    Para o leiloeiro Marcelo Silva, da Trajano Silva Remates, há no Estado um fator que pressionou ainda mais as cotações. O excesso de chuva em outubro atrasou as lavouras de soja e a retirada do gado das pastagens, elevando a oferta em um período que, a esta altura do ano passado, já era menor. Para Silva, a tendência é de reação nas próximas semanas pelo aumento da demanda durante o verão e repique do dólar, favorecendo as exportações.
    A zootecnista Isabella Camargo, analista de mercado da Scot Consultoria, lembra que, nesta época, normalmente os pecuaristas do Brasil Central têm a melhor remuneração do ano.
    – Mas os frigoríficos não conseguem subir o preço no atacado – observa Isabella, que projeta estabilidade das cotações à frente, mas mais pela oferta reduzida do que por maior demanda.
    Acompanhamento da Farsul mostra números um pouco diferentes, com queda de apenas 1,5% no preço pago ao produtor em novembro em comparação ao mesmo mês do ano passado.

  • NO RADAR

    A Faculdade de Agronomia da UFRGS e a União Brasileira dos Agraristas Universitários realizam hoje na Capital o 4º Simpósio Agrarista – Agricultura Brasileira do Amanhã. O evento será no auditório da faculdade (Av. Bento Gonçalves, 7712), a partir das 13h30min.

  • PRESSÃO NO TRIGO GAÚCHO

    O problema do preço do trigo parece se agravar. De acordo com o Cepea, da USP, o preço médio da tonelada no Rio Grande do Sul chegou a R$ 545,93. É 1,1% abaixo de uma semana antes. A retração nas cotações no Estado, nota o Cepea, acontece em um ritmo superior ao verificado em outras regiões produtoras.
    O quadro é resultado do maior interesse dos produtores na venda para fazer caixa e receio de que o preço caia ainda mais com um maior volume de importações da Argentina, onde a colheita já começou. Ao mesmo tempo, o interesse dos moinhos locais pelo trigo gaúcho diminuiu, notaram os responsáveis pelo levantamento.

  • O AGRONEGÓCIO NA CONTRAMÃO

    Enquanto a economia brasileira ainda patina, a cadeia da agropecuária continua a apresentar desempenho superior às demais atividades. O PIB do agronegócio acumulou alta de 2,71% de janeiro a julho deste ano na comparação com igual período de 2015, mostrou ontem estudo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Em julho, a expansão foi de 0,13%.

  • O DESEMPENHO NO ANO, POR SETOR

    Básico (dentro da porteira) 3,96%
    Serviços 2,57%
    Insumos 2,4%
    Indústria 1,65%

Fonte : Zero Hora

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