CAMPO ABERTO | Caio Cigana O DESAFIO DA CONCILIÇÃO

 

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    O cenário está posto: o mundo vai precisar aumentar em cerca de 70% a produção de alimentos até 2050 para sustentar em torno de 9 bilhões de pessoas que viverão no planeta, projeta a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Resta responder como isso será feito e encontrar saídas para que o custo não seja uma degradação ainda maior do ambiente.
    A busca por estas respostas permeou as discussões da 12ª edição do Agrimark Brasil, sexta-feira, na Capital. A conclusão é de que a incorporação de novas tecnologias e produção sustentável de alimentos deverão andar juntas nesta jornada. No evento organizado pelo Instituto de Educação do Agronegócio (I-UMA), participantes com diferentes olhares mostraram que é o aumento de produtividade a saída. Apesar da chegada de novas tecnologias, lembrou diretora da Emater, Silvana Dalmás, é essencial não esquecer o básico: sem conservar o solo, a água e com um clima imprevisível, de nada adiantará recorrer à inovação.
    O presidente da SLC Agrícola, Eduardo Logemann, lembra que, nas últimas décadas, a produtividade agrícola cresceu muito acima da área ocupada com lavouras no Brasil, o que seria um indício de o país estar no caminho certo. Por outro lado, há grande extensão degradada, principalmente de pastagens, que poderiam ser incorporada à produção, tirando a pressão de zonas ainda preservadas. E o caminho parece ter a bússola apontada para os conceitos da agricultura 4.0. A fazenda do futuro, acredita Logemann, necessariamente terá pessoas capacitadas para o mundo digital, melhor gestão (usar big data e fazer as informações geradas serem úteis para a tomada de decisões) e, por fim, deve estar amparada na sustentabilidade.
    – Assim será possível usar defensivos na hora certa, aplicando menos – exemplifica Logemann.
    O diretor para assuntos corporativos da Syngenta Brasil, Pablo Casabianca, vai na mesma direção: a otimização da produção vai permitir a preservação de mais áreas. Um exemplo do quanto o Brasil evoluiu: se o país ainda utilizasse a tecnologia empregada na década de 1990, a área necessária para o volume atual da produção agrícola teria de ser de 132,4 milhões de hectares. Hoje, no entanto, utilizamos somente 57,2 milhões de hectares.

  • TRADIÇÃO VALORIZADA

    Faturou R$ 2,04 milhões o 60º remate anual da Cabanha Santo Ângelo, de Barra do Quaraí, um dos mais tradicionais criatórios da fronteira oeste do Estado. O leilão reuniu no sábado um público de cerca de mil pessoas e fechou com média de R$ 5,5 mil para os 370 animais comercializados.
    Os 348 touros e ventres polled hereford, braford, angus e brangus alcançaram média de R$ 5,4 mil. Nos cavalos crioulos, R$ 7,5 mil.
    O lote mais valorizado foi a fêmea braford Santa Ana 38-TE0112. Metade da grande campeã da ExpoLondrina 2016, da Agropecuária Santa Ana, cabanha parceira da Santo Ângelo, foi vendida por R$ 21 mil para o criador José Altemir Ottoni, do município mineiro de Chapada Gaúcha.
    O braford também teve maior média nos touros, de R$ 9,1 mil. Os reprodutores polled hereford fecharam com R$ 6,5 mil e, no angus, R$ 6,9 mil. O único touro brangus da oferta saiu por R$ 9,3 mil. Nas fêmeas, médias de R$ 4,5 mil no polled hereford, R$ 4,1 mil no braford e R$ 2,9 mil para os ventres angus.
    Nos cavalos crioulos, chamou a atenção a venda de 19 exemplares em uma só batida do martelo para a Fazenda São Marcos, de Itapeva (SP).

  • NO RADAR

    A exportação de arroz tem pauta intensa entre hoje e quarta-feira. O projeto Brazilian Rice traz ao Brasil importadores para visitas técnicas e rodadas de negócio com 20 indústrias arrozeiras no Rio Grande do Sul. Os importadores são da Holanda, Chile, Estados Unidos e Panamá.

    Paralisado desde meados de outubro por interdição do Ministério do Trabalho, o terminal da Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa) em Rio Grande voltou a operar. Na sexta-feira, foi fechado acordo que permitiu o reinício dos trabalhos de exportação de arroz. O compromisso da Cesa é fazer, até fevereiro, investimentos para adequar a unidade a exigências legais ligadas à segurança dos trabalhadores.

    Deve sair nesta semana portaria interministerial que confirma leilões de Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) e Prêmio para Escoamento do Produto (Pep) para apoiar a comercialização de trigo da safra 2016/2017. A intenção é garantir o preço mínimo ao produtor devido às cotações abaixo do piso oficial – R$ 644,17 a tonelada ou R$ 38,65 a saca para o trigo pão tipo 1.

  • RESISTÊNCIA INDIANA

    Atrás apenas do Brasil no ranking mundial de exportação de fumo, a Índia recebe de hoje até sábado a 7ª Conferência das Partes (COP7) para o Controle do Tabaco. O encontro reúne delegações de 180 países que assinaram a Convenção-Quadro, tratado internacional da Organização Mundial de Saúde (OMS) para reduzir o tabagismo no mundo.
    Assim como no Brasil, a atividade tem grande importância econômica e social para o país asiático, o segundo mais populoso do mundo. E se indústrias e produtores brasileiros estão apreensivos em relação às decisões que serão tomadas, entre os indianos o sentimento é o mesmo. Ontem, o clima já era de tensão no local do evento, com policiamento ostensivo e promessa de mobilização de produtores indianos hoje cedo. Semanas atrás, a federação de agricultores da Índia organizou protestos pedindo ao governo que deixasse os produtores integrarem a delegação que participa da conferência global antitabaco ou que a boicotasse. A crítica do setor produtivo brasileiro é a mesma: de que é excluído das discussões sobre o futuro da atividade.

  • FUMAÇA DE POLUIÇÃO

    Os estrangeiros que chegaram a Nova Délhi no fim de semana foram recepcionados com uma espessa camada de poluição atmosférica. Uma combinação de fumaça da queima de resíduos em fazendas próximas, fogos de artifício do festival hindu de Diwali, construções e emissões de veículos elevou os níveis de partículas perigosas presentes no ar para mais de 15 vezes o limite seguro. Com o ar quase irrespirável, as escolas foram fechadas.

  • VOZ BRASILEIRA

    A delegação brasileira que participará das discussões nos seis dias da COP7 é formada por representantes de ministérios. A maior voz para influenciar decisões está concentrada nas pastas da Saúde, Agricultura, Relações Exteriores e Casa Civil. Indústrias, produtores e lideranças políticas, especialmente do Rio Grande do Sul, também vieram à Índia – mesmo sem poderem participar do evento, nem como público ouvinte.

  • Fonte : Zero Hora

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