CAMPO ABERTO – BRASIL TEM MOTIVOS PARA IRÀ OMC

O Brasil tem argumentos suficientes para abrir um painel na Organização Mundial de Comércio (OMC) contra a União Europeia (UE). Esse foi o diagnóstico feito por advogada contratada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ainda em 2017, logo após a primeira Operação Carne Fraca. A entidade queria ver se tinha em mãos elementos para entrar com ação contra o bloco.

– Foi feito um parecer, com a conclusão de que temos um caso – explica Ricardo Santin, vice-presidente de mercado da ABPA.

Esses dados estão sendo colocados à disposição do governo brasileiro, para servirem de subsídio na batalha que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, pretende travar na OMC.

Para ser concretizado, o painel precisa da anuência do Ministério das Relações Exteriores e da Indústria, Comércio Exterior e Serviços. E, ao mesmo tempo em que investe nessa artilharia mais pesada para tentar resolver o problema criado com a suspensão de 20 frigoríficos brasileiros para exportação à Europa, o Brasil também não abandonou a negociação.

Santin está desde domingo na Europa. Conversou com o adido agrícola brasileiro em Bruxelas e com integrantes do The International Poultry Council (IPC):

– Vamos preparar o painel, mas queremos negociar. Os clientes também estão preocupados com a situação.

Da mesma forma, sindicatos de trabalhadores nas indústrias querem fazer a sua parte. Ontem, em reunião em Porto Alegre, definiram ações. A primeira será uma campanha pela qualidade da carne brasileira na UE, com distribuição de panfletos, por exemplo. Outra iniciativa será abrir negociação com a BRF (empresa alvo da Operação Trapaça e com 12 unidades embargadas) para que não hajam demissões – há agenda com a diretoria no dia 4 de maio. E existe o pedido por audiências públicas.

– O que resta é a gente tentar provar lá fora que a carne é boa, e que o que existe é um boicote – afirma Siderlei Silva de Oliveira, presidente da Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação da CUT (Contac).

Berço nacional da soja, o município de Santa Rosa, no Noroeste, também será palco para o encerramento nacional da colheita do grão. A cerimônia simbólica ocorre na abertura da 22ª Fenasoja, no Parque de Exposições Alfredo Leandro Carlson (foto), na sexta-feira, dia 27, quando também serão apresentados dados da produção gaúcha e nacional. A divulgação das informações ficará a cargo da Emater e da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

A Conab conclui amanhã novo levantamento e pode revisar para baixo as estimativas de colheita do grão – na pesquisa do início do mês, reduziu a produção gaúcha para 16,64 milhões de toneladas, recuo de 11,1% em relação ao ano passado e de 5,19% na comparação com a pesquisa anterior. O ajuste reflete o impacto da estiagem, sobretudo na Metade Sul.

No norte, os resultados têm sido positivos e alimentam projeções de crescimento de até 40% nos negócios da Fenasoja, que na última edição, em 2016 (a feira é bianual), somaram R$ 70 milhões.

– Estamos otimistas, porque a safra na região foi boa, e o preço da soja também está bom – afirma Alexandre Maronez, presidente da Fenasoja 2018.

No total, 605 expositores, de diversos segmentos, participam da feira que vai até o dia 6 de maio e terá ainda atrações culturais. NA CASA DA SOJA

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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