CAMPO ABERTO – Brasil promete partir para a briga com a UE

Diante das evidências de que a União Europeia anunciará hoje o descredenciamento de unidades da BRF e de outras marcas para o embarque de carne de frango, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, se antecipou e afirmou que o Brasil vai para a briga com o bloco. Deve abrir um painel na Organização Mundial de Comércio (OMC) porque alega que a barreira imposta é, na verdade, comercial:

– Estão aproveitando para nos tirar do mercado em nome da sanidade, o que não é verdadeiro.

No mês passado, logo após a Operação Trapaça – terceira fase da Carne Fraca, que tinha a BRF como alvo -, o ministério determinou autoembargo a unidades da empresa. Fez isso com o intuito de forma estratégica, porque avaliava que seria mais fácil o Brasil levantar a própria suspensão do que derrubar uma barreira do bloco. Não deu certo.

Um time de técnicos e o ministro estiveram em Bruxelas, mostrando que todas as providências haviam sido tomadas. Não foi suficiente.

Além das unidades da BRF, outras oito empresas também estariam na lista das que devem ser desabilitadas. Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), 59 frigoríficos tinham aval para embarcar carne de frango à UE. Mas esse número deve cair, com recentes descredenciamentos e a medida a ser confirmada hoje – mais de 30 empresas ficariam excluídas.

Nessa guerra comercial com o bloco, destino de 7,6% das exportações brasileiras de frango, o Brasil tem muito a perder. Desde o autoembargo, a carne que deixou de ser exportada fez o mercado interno inchar. O resultado é que as empresas já estão fazendo ajustes na produção. A BRF anunciou férias coletivas nas unidades de Rio Verde (GO) e Carambeí (PR), a partir de maio. E a Aurora anunciou férias coletivas em unidade de Santa Catarina, em junho. O temor é de que a crise não seja resolvida e esses trabalhadores acabem não retornando.

– Se a situação não for revertida, fala-se na perda de 15 mil postos no chão de fábrica e até 40 mil na cadeia produtiva – alerta Ricardo Santin, vice-presidente de mercado da ABPA.

A entidade já contratou advogado para subsidiar o governo na ação a ser movida na OMC. Mas essa disputa, que precisa de aval do Itamaraty, não tem solução rápida.

Como garantir o milho necessário

Além dos efeitos da Operação Trapaça, outro problema recorrente preocupa a indústria de proteína animal: o fornecimento de milho. A Associação Gaúcha de Avicultura (Asgav) reforça a necessidade de buscar saída para a situação histórica do grão – o Estado consome mais do que produz. Com a soja, ele representa 70% do custo da indústria.

– Precisamos soluções a curto, médio e longo prazos – disse Nestor Freiberger, presidente da Asgav.

Uma das estratégias para incentivar o cultivo do milho, evitando o efeito gangorra de preços – e o impacto disso sobre a área de produção – é a venda futura, com preço pré-fixado.

– O papel das empresas é buscar negociação futura, com preço fixo. Na produção da safrinha (segunda safra de milho, no Centro-Oeste, no Paraná e no Matopiba), esse mecanismo flui – observou Arene Trevisan, diretor-executivo de suprimentos da JBS.

Na safrinha, estima-se que de 50% a 60% do milho seja negociado dessa forma. No Rio Grande do Sul, o percentual é de 8%.

– Tem uma questão cultural também – acrescenta Freiberger.

A estimativa é de que neste ano o déficit de milho no Estado seja de cerca de 2 milhões de toneladas.

EXTINÇÃO APROVADA

Com placar folgado, 45 votos a favor e quatro contra, o governo Sartori conseguiu aprovar o projeto de lei que extingue a Companhia Estadual de Silos e Armazéns (Cesa). Mas o caminho até o fechamento ainda deve ser longo.

Depois de publicada a lei, abre-se prazo de 30 dias para a realização de assembleia-geral de acionistas em que serão escolhidos o liquidante e o conselho fiscal. Também é nessa ocasião que será determinado o cronograma da extinção.

Uma coisa é certa: por meio de emenda pluripartidária, aprovada por 47 votos a dois, ficou estabelecida a manutenção da unidade de Rio Grande. A filial, que é uma concessão, continuará no guarda-chuva do Estado, passando para a superintendência do porto, segundo o deputado Gabriel Souza (PMDB).

– Isso expressa o sentimento de manter aberta uma porta para exportação de arroz – avalia Claudio Corrêa, presidente da Cesa.

Para fechar as portas, o governo estadual terá de desembolsar uma série de pagamentos. A direção da Cesa estima esse custo em R$ 200 milhões. Já o Sindicato dos Auxiliares de Administração de Armazéns Gerais do Estado (Sagers), calcula em mais de R$ 500 milhões. Sobre a aprovação da extinção, Lourival Pereira, presidente da entidade, afirma que a votação favorável ao projeto de parlamentares do PT foi uma surpresa.

O Sagers promete ir à Justiça e garante que não liberará a venda de filiais se o Estado não pagar a conta, principalmente do acordo trabalhista em ação do piso da categoria.

no radar

JÁ ESTÃO valendo as condições para prorrogação das parcelas de custeio de produtores de arroz negociadas com o Banco do Brasil. Pela proposta, os agricultores devem pagar 20% de entrada e prorrogar por três anos o saldo.

estratégia sustentável

Além de colocar na vitrine o que a produção tem de melhor, os organizadores da Expoclara, que ocorre de 3 a 6 de maio no Parque da Fenachamp, em Garibaldi, mostram que é possível ser sustentável. Pela segunda edição, a feira terá o selo CarbonOff. Isso significa que a emissão de gás carbônico produzido no evento será compensada com o plantio de mudas de árvores.

– Quantificamos o consumo para calcular a reposição de árvores a ser feita – diz José Dotta, diretor da Expoclara.

A feira promovida pela cooperativa Santa Clara é para associados e público geral. Mais de 200 animais das raças jersey e holandesa e cem expositores participam do evento.

João Marchesan, da Marchesan S.A., foi reeleito para a presidência da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos até 2022. Ele defende a necessidade de políticas focadas em desenvolvimento tecnológico, inovação, produtividade e maior competitividade.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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