CAMPO ABERTO – BENEFÍCIO NA CONTA DE LUZ DO PRODUTOR À MEIA FASE

Foi no apagar das luzes que o presidente Michel Temer publicou decreto que previa a redução gradual, até a extinção, dos descontos concedidos na conta dos produtores rurais. A medida saiu em 27 de dezembro de 2018 e, desde então, vinha sendo apontada como um dos grandes problemas a serem resolvidos. O governo federal sinalizava que a questão seria solucionada, o que ocorreu ontem.

Pelo novo decreto, produtores que usam água (irrigação e aquicultores) no horário noturno – entre 21h30min e 6h – voltam a ter tarifa reduzida de energia.

O texto também reassegurou o acúmulo de descontos, algo vetado pela decisão de Temer, pontos esses que são considerados positivos. Presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), Alceu Moreira (MDB-RS) considerou as mudanças "uma grande vitória da bancada junto ao governo federal":

– Pequenos produtores irrigantes estavam arcando com aumento de mais de 40% no valor da tarifa.

Mas a nova resolução deixou a desejar no aspecto mais aguardado pelo setor: anulação do trecho que prevê fim dos subsídios.

– Melhoraram algumas questões, mas não mexeram no essencial: o inciso que elimina os descontos do produtor rural como um todo – avalia Carlos Joel da Silva, presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado (Fetag-RS).

Presidente da Frente Parlamentar da Agricultura Familiar, Heitor Schuch (PSB)entende que, se o documento "contempla tão somente o pessoal que irriga, o público que está fora é muito maior do que o que está dentro".

– Foi muito distante daquilo que o setor precisava – diz o deputado, autor de projeto de lei que mantém subsídios entre 10% e 30%.

Diretor jurídico da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS), Anderson Belloli reforça que o novo decreto foi metade bom, metade ruim:

– Em regra, neste momento é bom, porém insuficiente na medida em que mantém a redução anual de 20% nos descontos.

NEGÓCIO DE PÉ

Depois de fechar 2018 com crescimento expressivo de 100% na quantidade embarcada, o Rio Grande do Sul segue o caminho dos negócios de venda de gado em pé. Hoje, grupo de animais que será embarcado para o Egito inicia a quarentena, conforme determinam as regras do Ministério da Agricultura.

Apesar do nome são, na verdade, 21 dias em que os animais ficam em propriedade específica, para que possam ser feitos exames e testes exigidos pelo país importador, como explica Antonio Carlos de Quadros Ferreira Neto, diretor do Departamento de Defesa Agropecuária da Secretaria da Agricultura:

– A partir do dia 26, esses exemplares estarão prontos para embarcar. Monitoramos desde a saída da propriedade de origem até a chegada no porto, quando a atuação passa a ser dos agentes do ministério.

O Estado vem abrindo o leque de opções para a venda de bovinos vivos. No ano passado, os embarques tinham a Turquia como destino. Foram 168,83 mil cabeças, ante 85,68 mil em 2017, segundo dados da secretaria.

– Às vezes, o importador compra um pouco de gado no Uruguai e completa a carga aqui no Brasil – acrescenta Ferreira Neto.

O mercado de gado em pé tem alternativa importante de preço para os pecuaristas. No ano passado, ajudou a equacionar as contas, já que os preços do boi estavam em queda dentro do país. Nas fotos acima, os registros feitos por equipe da Secretaria da Agricultura em embarque realizado na semana passada.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

Compartilhe!