CAMPO ABERTO – BAYER SOFRE TERCEIRA CONDENAÇÃO NOS EUA

Os tribunais americanos têm sido implacáveis, até o momento, nos casos movidos contra a Bayer (multinacional alemã que adquiriu a Monsanto). Ontem, em menos de um ano, saiu a terceira determinação de indenização bilionária contra a empresa. Dessa vez, são US$ 2 bilhões, conforme decisão de ação que tramitava em tribunal de Oakland, oeste do Estados Unidos.

O pagamento deverá ser efetuado a um casal que atribui o câncer ao uso do glifosato (no caso o Roundup, marca comercial do herbicida desenvolvido pela Monsanto).

Alberta e Alva Pilliod deverão receber, cada, US$ 1 bilhão, além de US$ 55 milhões por despesas, danos morais e outros.

Esse julgamento teve início no final de março, logo após outra condenação que determinou pagamento de US$ 81 milhões ao aposentado Edwin Hademan, também com câncer e que fazia associação da doença ao uso do produto. Antes dele, havia o caso considerado uma espécie de marco zero das ações dos EUA. O jardineiro Dewayne Johnson teve ganho de causa em processo, com indenização milionária – o valor de US$ 289 milhões foi posteriormente revisado para US$ 78 milhões.

A questão é que somente em território americano existem 11,2 mil processos semelhantes. Uma avalanche que deve usar os casos já julgados como referência. É claro que a empresa alemã deve recorrer. Em diferentes ocasiões, a Bayer reforçou sua confiança no produto, embasada em estudos e reforçada pela autorização de uso e venda dada por agências reguladoras do mundo todo – inclusive a Anvisa, no Brasil, que recentemente concluiu a parte técnica da reavaliação toxicológica do glifosato.

Recentemente, vazou a notícia de que acionistas da Bayer reunidos em assembleia da empresa, no mês passado, criticaram a aquisição da Monsanto. A avaliação era de que isso colocou o futuro da companhia alemã em risco, ao deixá-la exposta às ações movidas nos EUA.

O fato é que as condenações, ainda que passíveis de recursos, abalam a imagem e os negócios da multinacional alemã.

Em condenações anteriores, houve recuo nos valores das ações na Bolsa de Frankfurt.

ENTREVISTA | "Licenciamento para plantar árvore no Brasil é muito burocrático"

PAULO HARTUNG, Presidente da Ibá

Depois de dois mandatos como governador do Espírito Santo, Paulo Hartung veio ao Estado como porta-voz da Ibá (Indústria Brasileira de Árvores), entidade que preside e que reúne empresas do setor florestal. Na agenda na capital gaúcha, ontem, conversou com vários interlocutores, inclusive com a equipe do governador Eduardo Leite. E aproveitou para reforçar a importância do segmento, que em breve voltará a ter representação em Brasília. Confira abaixo trechos da conversa com jornalistas.

A questão dos licenciamentos ambientais está na agenda da entidade? O senhor conversou sobre o assunto com o governador Eduardo Leite?

Minha missão número 1 é trabalhar para que os brasileiros conheçam mais o setor. É muito importante na geração de empregos (são 3,7 milhões, entre diretos e indiretos). Fatura R$ 73,8 bilhões ao ano e ajuda na geração de divisas. É relevante do ponto de vista ambiental. Hoje, temos mais de 7 milhões de hectares de florestas plantadas, que fazem retenção de CO2. Estão contribuindo com a questão do clima. É meu papel dar visibilidade ao setor. Temos leis, regulamentos estaduais, federais, que dificultam a evolução. O que estamos fazendo? Dialogando. Mostrando o potencial do setor.

A que leis e regulamentos se refere?

Por exemplo, o licenciamento para plantar árvore no Brasil é muito burocrático. Então, estamos discutindo. Desde o ano retrasado, começou a evoluir esse debate no país. Estamos caminhando para resolver essas e outras questões. Esse é um setor com impacto extremamente positivo no meio ambiente. Por isso, precisamos conversar com a sociedade, e esse é o meu papel. Porque se nós temos compromisso no Acordo de Paris de plantar mais florestas, temos de simplificar o processo de licenciamento.

Um licenciamento demora hoje quanto tempo?

Depende do Estado. Muitas vezes dois anos, três anos, quatro anos, é lento o processo. Você cultiva árvores, é disso que se trata, é um cultivo. Mas tem conexões malfeitas. Por exemplo, outro dia tive de fazer carta para evento em São Paulo que pedia para não usar papel como ação ambiental. Tive de dizer: olha, informo que 100% do papel produzido no Brasil é de árvores cultivadas. Para ficar claro os equívocos que vão sendo construídos. A questão central é diálogo.

Há potencial para o setor crescer?

Está em crescimento, mesmo com o Brasil andando agormeio de lado. Há investimentos de R$ 20 bilhões. A Klabin anunciou investimentos de R$ 9,1 bilhões nas plantas do Paraná. O setor enseja potencial de crescimento muito maior. Aí você encontra obstáculos. Na burocracia, que tira a velocidade do setor muitas vezes, no custo Brasil. Eu não quero brigar, quero convencer. Vamos na base da demonstração, da ciência, das evidências, de que é bom para o ambiente o setor crescer.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora