CAMPO ABERTO – BAYER E MONSANTO JÁ PODEM SER UNIFICADAS

A integração das operações de Bayer e Monsanto é, agora, apenas questão de tempo e estratégia. Ontem, foi encerrado o processo de desinvestimento exigido por autoridades econômicas para dar aval à compra da americana pela companhia alemã. A também alemã Basf comunicou a conclusão da aquisição da unidade de sementes de hortaliças. Era a peça que faltava.

Oficialmente, a Bayer já era a dona da Monsanto desde 7 de junho. Mas uma exigência do departamento de Justiça dos Estados Unidos determinava que as duas empresas seguissem com as operações separadas até o término da venda de ativos exigida.

O Brasil terá papel importante para os negócios da nova empresa. É considerado o segundo mercado mundial e o de crescimento mais intenso, como informou Liam Condon, presidente global da CropScience. A divisão agrícola deverá responder por 80% dos R$ 15 bilhões de faturamento no país das duas marcas unificadas.

Também será no território brasileiro que a Bayer terá de lidar com um grande entrave: a decisão liminar da Justiça Federal de Brasília para que, dentro de 30 dias, sejam suspensos registros de produtos à base de glifosato. Sim, a União irá recorrer. Por ora, no entanto, a suspensão deve ser mantida até que a Anvisa conclua o processo de reavaliação toxicológica, no prazo máximo até 31 de dezembro.

O impasse, às vésperas do plantio da safra de verão, é daqueles problemas tamanho "G". Cerca de 95% das lavouras de soja no Estado fazem uso do produto.

– Se o glifosato sair, será um caos. Voltaremos à agricultura antiga – garante Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).

Antonio Galvan, presidente da Associação dos Produtores de Soja do Mato Grosso, Estado que é o maior produtor nacional do grão, faz coro à preocupação:

– Sem glifosato, não tem safra no Brasil.

Ele lembra que o país adota o sistema de plantio direto (semeadura da nova safra diretamente após a colheita da anterior). O herbicida serve para eliminar a cobertura vegetal ou as plantas daninhas que ficam no solo, como preparação para semear a soja.

A essa situação se soma a decisão da Justiça americana de indenizar em US$ 289 milhões jardineiro que está com câncer terminal e fez uso do produto.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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