CAMPO ABERTO – Auditores partem hoje para roteiro no interior do RS

Já está no Rio Grande do Sul a equipe de auditores que realiza vistoria para avaliar se o Estado tem ou não condições de deixar de vacinar o rebanho contra a febre aftosa. O grupo esteve ontem na Capital, buscando informações junto à Secretaria da Agricultura.

Hoje, a partir do meio-dia, se dividem em duas equipes que farão roteiros distintos pelo interior do Estado. Passarão pelos municípios de Dom Pedrito, Caçapava do Sul, Vila Nova do Sul, Uruguaiana, Caxias do Sul, Erechim, Marcelino Ramos e Palmeira das Missões.

Cada grupo tem dois auditores designados pelo ministério. Um técnico da superintendência regional e outro da Secretaria da Agricultura também acompanham os trabalhos, somando quatro pessoas em cada uma das duas equipes.

No final da semana, os grupo voltam a se reunir em Porto Alegre.

– É uma avaliação sistêmica – reforça o superintendente regional do ministério no RS, Bernardo Todeschini, sobre o trabalho desenvolvido pela equipe.

Em período de até 30 dias, eles deverão fazer relatório prévio. Questões apontadas nesse documentos poderão ser respondidas, para só então sair o diagnóstico final.

Estão sob avaliação estruturas físicas e de pessoal na área de defesa animal do Rio Grande do Sul. Os itens avaliados estão dentro de questionário-padrão estabelecido pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), órgão que faz anualmente o reconhecimento do avanço do status sanitário. No total, são 42 pontos verificados, recebendo notas que vão de um a cinco.

Na última avaliação, em 2017, o Estado ficou com nota três. Para poder se habilitar ao fim da imunização é necessário, no mínimo, nota quatro. A mudança da condição de zona livre da febre aftosa com vacinação para sem imunização faz parte de plano estratégico do Ministério da Agricultura. O RS debate a antecipação do cronograma por conta do Paraná, que já não deve mais vacinar na segunda etapa da campanha deste ano.

Espaço aberto

O município de Ijuí, no Noroeste, será o primeiro do país a receber loja física da Syngenta. A Atua Agro (foto) abre as portas amanhã, mas a coluna antecipa detalhes da inauguração e da proposta da marca de contar com canais como esse para venda de produtos do portfólio – em 12 meses, serão três espaços.

– É inovação alinhada ao posicionamento da empresa de estar próximo ao produtor – diz Luciano Daher, diretor comercial da Syngenta.

O Rio Grande do Sul tem características singulares em relação a outros pontos do país, com propriedades menores. E isso exige canal diferente de vendas, acrescenta Daher:

– O acesso é fracionado. Por isso, a necessidade de ter estrutura para atender a contento. Você precisa ter disponibilidade de produto, flexibilidade, agilidade.

A loja de Ijuí terá mil metros quadrados e contará com equipe de oito pessoas.Também há espaço para palestras e interação com a tecnologia na área de digital – a marca é dona de Strider, FarmShots, Ag Connections e, desde ontem, da russa Cropio.

O valor do investimento não é revelado, mas Daher adianta que a segunda loja física será em Santa Maria, na Região Central.

De origem Suíça, a Syngenta foi comprada em 2017 pela chinesa ChemChina, que também tem em seu porfolio a Adama.

"O número de unidades produtivas caiu mais de 30%"

Alexandre Velho, Presidente da Federarroz

A um mês do plantio, produtores de arroz seguem com incertezas. A crise do setor pautou a Expointer. À frente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado, Alexandre Velho reforça que a solução é urgente, sob pena do abandono da atividade.

A resposta à crise é satisfatória ou esperavam anúncio?

Temos urgência em resolver questões do arroz, e o governo não funciona na mesma velocidade das nossas necessidades. É claro que esperávamos anúncio que contemple número maior de produtores. Mas por um lado a ministra Tereza Cristina teve a coragem de colocar a realidade do governo e as dificuldades que têm para vencer obstáculos dentro do próprio governo. Um exemplo foi o alongamento das parcelas de custeio. Por outro lado, reafirmamos a parceria, que acreditamos na ministra e demos voto de confiança para que possamos trazer encaminhamento para as soluções o quanto antes. Evidente que muitos produtores esperavam anúncio, até porque estamos a 30 dias do plantio.

Se não houver solução para a crise, poderá haver redução do número de produtores?

Temos um trabalho que mostra que, de 2004 a 2018, saímos de 9 mil unidades produtivas de arroz para menos de 6 mil. Esse número nos assusta, é uma redução de mais de 30%. A área vai continuar caindo, tanto no Estado quanto no país. Ainda não temos o número da intenção de plantio. Se trabalha com recuo de algo entre 5% e 10%. E salientei ao governador Eduardo Leite que, mesmo com essa redução, o RS continuará sendo protagonista e responsável por mais de 50% da produção brasileira. Temos uma questão climática, um inverno rigoroso, um controle de pragas naturalmente, e essa condição favorece o Estado.

R$ 120 mil

foi o valor recebido pelo Instituto do Câncer Infantil em doações a partir de ações na Expointer em parceria com criadores de cavalo crioulos. Uma delas foi o ingresso no Freio Jovem, cuja renda total de R$ 5 mil reverteu para a entidade.

NO RADAR

O efeito positivo da Expointer vai além do parque Assis Brasil. Em levantamento do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região Metropolitana, 92% dos entrevistados relataram movimentação alta. O presidente da entidade, Carlos Henrique Schmidt, lembra que hotéis tiveram ações especiais como descontos e abertura de leitos.

Antenado com o Rio Grande

Lançado na Agrishow, o projeto ConectarAgro busca seu espaço no Rio Grande do Sul. É por isso que durante a Expointer houve tratativas para que a iniciativa, já em vigor em Estados como MT, MS, BA e GO, chegue ao território gaúcho. O projeto reúne oito empresas de tecnologia agrícola e telefonia com o objetivo de melhorar a conectividade no meio rural. A meta é fechar 2019 com 5 milhões de hectares com o sistema. Até julho, já eram mais de 1 milhão de hectares. Na Região Sul, projeto-piloto deve sair até o fim do ano. No RS, também já há negociações.

– A vinda para a Expointer foi emblemática, estratégica – diz Rafael Marquez, diretor de marketing para o mercado corporativo da TIM.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora