CAMPO ABERTO – Atraso pode comprometer potencial produtivo do arroz

A chuva em excesso que caiu sobre o Rio Grande do Sul terá impacto sobre a produção. No segundo levantamento da safra 2019/2020, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresentou dados coletados no período de 28 de outubro a 1 novembro. E a maior preocupação vem das lavouras de arroz. Com apenas 55% da área estimada já semeada, a cultura deverá ter o plantio encerrado fora do período estabelecido pelo zoneamento agrícola de risco climático.

– A Região Central tinha apenas 13% do total semeado. E é uma área significativa, de 128 mil hectares. O plantio vai se estender até dezembro, janeiro, com potencial de prejuízo na produtividade – alerta Carlos Bestétti, auxiliar da superintendência da Conab no Rio Grande do Sul.

Em lavouras localizadas na Campanha houve problemas também causados por inundação. Segundo Bestétti, fica a dúvida sobre a necessidade e a possibilidade de se fazer replantio nesses locais. Outro ponto a ser considerado é que diante do cenário de atraso no plantio, há perspectiva de redução de área maior do que a projetada. Pelos números da Conab, seriam 951 mil hectares, 5% a menos do que no ciclo anterior. A produção, por ora, está estimada em 7,38 milhões de toneladas, queda de 0,1% sobre o volume da safra 2018/2019, quando houve redução de mais de 1 milhão de toneladas, também por mau tempo.

– Já existem indicativos de que não se confirmará a área. E tem a possível redução de produtividade – observa Alexandre Velho, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS).

A entidade estuda a possibilidade de solicitar a ampliação do prazo do zoneamento, que termina amanhã. Porque além da perda do potencial produtivo, o agricultor que plantar fora do período recomendado fica sem a cobertura do seguro em caso de eventuais perdas.

Tanto Bestétti quanto Velho descartam, no momento, risco de desabastecimento de arroz, ainda que a oferta do produto esteja mais ajustada.

O excesso de umidade também deve comprometer a qualidade das lavouras de trigo que estavam prontas e não puderam ser colhidas em razão do mau tempo. De forma geral, no entanto, as projeções apontam boa safra do cereal, com volume de 2,21 milhões de toneladas, alta de 17,9% sobre o ciclo anterior.

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora