CAMPO ABERTO – AS FACES DA ALTA DO DÓLAR NO AGRO

A disparada do dólar nas últimas semanas vem ajudando a valorizar as commodities agrícolas, estimulando a venda da safra de grãos e o fechamento de contratos futuros. Na sexta-feira, a moeda americana emendou o sexto dia de alta seguida e fechou em R$ 3,74 na venda a maior cotação desde 15 de março de 2016.

De janeiro a maio, quando o preço do dólar aumentou 16,5% no câmbio brasileiro, o valor da saca de soja no mercado de lotes cresceu 19,9% no Rio Grande do Sul – passando de R$ 68 no começo do ano para R$ 81,55 na sexta-feira (veja evolução mensal abaixo).

– Os setores que têm relação estreita com o mercado internacional, como a soja e o milho, são beneficiados pelo cenário atual – explica Carlos Cogo, consultor em agronegócio.

A situação deve ajudar ainda o arroz, que vem ampliando as exportações, e o trigo, prevê Cogo:

– O momento pode, inclusive, estimular produtores gaúchos e paranaenses a aumentarem a área plantada com o cereal.

A outra face da desvalorização do real é o impacto nos custos de produção, inclusive das commodities. Isso porque 75% dos fertilizantes e 54% dos defensivos agrícolas são importados. Ou seja, com o dólar mais caro, o custo de produção aumenta.

Mas o cenário é preocupante mesmo para os setores que têm o mercado interno como principal comprador, como a produção de carnes de frango e suína – que ainda dependem dos grãos como insumo básico para ração.

– O grande problema é que em um ambiente econômico recessivo, como estamos vivendo agora, é muito difícil repassar o aumento de custos ao consumidor – explica José Carlos Hausknecht, diretor da consultoria MB Agro.

A opinião compartilhada por analistas de mercado é de que a moeda americana deve se estabilizar em um novo patamar nos próximos meses. Os fatores de estresses poderão vir das eleições no Brasil e da possibilidade de o banco central norte-americano mexer no juro – cenários ainda incertos no curto prazo.

joana.colussi@zerohora.com.br

JOANA COLUSSI

Fonte : Zero Hora