CAMPO ABERTO – Arroz também terá novo patamar de preços

Depois da valorização da carne, o arroz será o próximo item a mudar de faixa de preços. Essa é a projeção da Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz-RS), feita com base no cenário do próximo ano, e terá impacto para o produtor e para o consumidor. Exportação em alta, conquista de mercados, variação cambial, diminuição da área cultivada no Mercosul, redução da safra no Brasil e aumento do consumo no país são apontados como razões para o aumento.

O Brasil deve fechar o ano comercial (que vai de março deste ano a fevereiro de 2020), com embarques de 1,2 milhão de toneladas, valor acima do projetado. Embora seja menor do que no período anterior, quando as exportações atingiram a segunda melhor marca da história, tem peso importante no momento em que a safra ficará menor. Soma-se a isso o reduzido estoque de passagem. E a expectativa de aumento de 2,9% no consumo do cereal pelos brasileiros em 2020.

Fora de casa, a conquista de novos mercados está no radar. O México, para onde o Brasil vendeu 11 contêineres de produto beneficiado pela primeira vez e para onde deve enviar novo volume em janeiro, é uma aposta.

Há ainda outra ajuda, de forma indireta. A China diminuirá a produção em 2% e a Índia em 1% em 2020. E deverão exportar menos para países tradicionalmente atendidos por eles, abrindo oportunidade para o cereal brasileiro.

– O arroz passará a ter outro patamar de preço na gôndola. Hoje, é muito barato. Representa R$ 0,12 em uma refeição – observa Alexandre Velho, presidente da Federarroz-RS.

A alta é estimada entre 10% e 20%. Ainda assim, pondera o dirigente, não deve representar grande impacto. Considerando a média de consumo per capita no Brasil e o preço de cerca de R$ 2 o quilo, o gasto mensal hoje fica em R$ 5,67. Se ficasse 20% mais caro, ampliaria a conta para R$6,80.

O valor da saca precisa ficar acima de R$ 50 para garantir renda ao produtor. Que aliás, acumula prejuízos nas últimas safras, por problemas climáticos e de mercado. Não há, no entanto, risco de desabastecimento do produto no mercado interno.

– Continuaremos protagonistas. Apesar da redução de área, o Estado continuará respondendo por mais da metade da produção no país – reforça Velho.

Entre as melhores do Brasil

Com faturamento próximo a R$ 1,9 bilhão neste ano, a Cotrisal, de Sarandi, no norte do Estado, está entre as principais organizações do agronegócio do país. A gaúcha foi eleita a quarta melhor cooperativa do Brasil pela Revista Globo Rural, no anuário "As 500 Maiores do Agro".

– Estamos felizes com o resultado, pois entre os critérios avaliados estão rentabilidade do patrimônio líquido, liquidez corrente e evolução da receita – afirma Walter Vontobel, presidente da Cotrisal.

O resultado para este ano está estimado em mais de R$ 100 milhões. Já a distribuição para os associados deve chegar a R$ 3,70 por saca vendida.

Para 2020, Vontobel projeta investimentos em armazenagem e melhorias na rede de supermercados. A Cotrisal tem mais de 10 mil associados e atua nos setores de grãos, leite, rações e varejo.

12%

é o crescimento estimado pela Abisolo nas vendas deste ano da indústria brasileira de fertilizantes especiais. A projeção tem como base análise recente da entidade dos resultados verificados nos primeiros nove meses de 2019.

Atividade essencial

A Associação dos Fiscais Agropecuários do RS (Afagro) aguarda notificação do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que considerou abusiva a paralisação da categoria e determinou a manutenção de 30% do efetivo dos servidores em atividade, com multa diária de R$ 50 mil, em caso de descumprimento. Hoje, segundo a associação, 90% dos fiscais estão em greve. Apesar do revés, a diretoria avaliou como positiva a decisão:

– Entendemos como um ganho, porque define o trabalho da fiscalização como serviço essencial – afirma o presidente da Afagro, Pablo Fagundes Ataíde.

O dirigente detalha que, após receber a intimação, o documento será encaminhado para a assessoria jurídica para avaliação. A Afagro recebeu ontem pela manhã a informação sobre a decisão do TJ por meio do secretário da Agricultura, Covatti Filho, após reunião entre representantes da entidade com a equipe da pasta.

– Não desmerecemos a paralisação, até porque têm as prerrogativas deles. Com o gabinete de crise, e liminares da Justiça, a área animal foi contemplada em parte, mas na área vegetal tivemos prejuízos – explica Covatti Filho.

Desde o início da greve até ontem, deixaram de ser emitidos 2.511 documentos para o transporte de vegetais, o equivalente a R$ 94,8 milhões em produtos não comercializados.

O TJ acolheu fundamentação da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) contra a Afagro e o Sindicato dos Servidores de Nível Superior do Poder Executivo do Estado (Sintergs). Na ação, a PGE argumentou que a greve não assegurou a continuidade dos serviços de fiscalização.

gisele.loeblein@zerohora.com.br 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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