CAMPO ABERTO – ANVISA DÁ PARECER EM REAVALIAÇÃO DO GLIFOSATO

Depois de 11 anos de espera, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) finalmente concluiu a reavaliação toxicológica do glifosato, herbicida usado em mais de 90% das lavouras de soja do Brasil.

O parecer pela continuidade do uso vem em momento oportuno para a multinacional alemã Bayer (nova dona da Monsanto, fabricante original do produto), que enfrenta neste momento processo na Justiça dos Estados Unidos.

Os técnicos da Anvisa avaliaram que não há evidências suficientes para classificar o glifosato como produto carcinogênico, mutagênico ou teratogênico (ou seja, capaz de causar câncer e outros problemas graves, como casos de má-formação de fetos na gravidez).

– Com isso, não haveria como proibi-lo – diz o coordenador de reavaliação, Daniel Coradi.

A decisão final sobre o produto, no entanto, ficará para depois de encerrado prazo de 90 dias de consulta pública sobre o tema. O período permitirá que sejam manifestações acerca do herbicida.

Na prática, é pouco provável, porém, que desse processo possa sair algo com condições de reviravolta no processo de reavaliação.

Em nota, a Bayer voltou a defender o glifosato, afirmando que "é uma ferramenta vital para a agricultura brasileira". Diz ter colaborado com a Anvisa no processo de revisão, compartilhando dados científicos.

No ano passado, uma liminar da 7ª Vara da Justiça Federal do Distrito Federal, depois derrubada, determinava que novos registros do glifosato não poderiam ser concedidos até que a Anvisa concluísse a reavaliação toxicológica que havia sido iniciada em 2008.

A decisão, à época, causou apreensão entre os produtores porque saiu às vésperas do plantio da safra de soja no país. E veio quase ao mesmo tempo em que um tribunal americano determinou indenização milionária a um jardineiro que associava o câncer que teve ao uso do herbicida. Nesta semana, teve início julgamento de outra ação movida nos EUA contra a empresa.

O Programa Carne Angus Certificada tem novo comando. A coordenadora no Rio Grande do Sul, a veterinária Ana Doralina Menezes, assume a gerência no lugar de Fábio Medeiros. Ela atua no projeto desde a criação, tendo iniciado como certificadora de desossa em frigoríficos do Estado.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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