CAMPO ABERTO – AINDA SOBRE A FUSÃO…

A proposta de transformar os ministérios da Agricultura e do Meio Ambiente em uma pasta continua suscitando discussões. Auditores fiscais agropecuários manifestaram preocupação com a medida. O sindicato da categoria argumenta que as duas pastas "têm atividades distintas, e a junção tenderá a dificultar e desacelerar o trabalho do órgão.

No Estado, o diretor técnico da Emater, Lino Moura, se diz convicto de que seria ruim "sob todos os aspectos":

– Meio ambiente não trata exclusivamente do agronegócio. E é inegável a existência de um conflito entre produção e meio ambiente.

A agricultura, mesmo conduzida com todas as medidas ambientais recomendadas, causa impacto. É preciso regulação para minimizar esses efeitos, sem prejudicar o sistema produtivo, ou equilibrando produção com preservação.

Lino Moura

Diretor técnico da Emater

Quem licencia a agricultura no país são os órgãos ambientais estaduais. Aí, o Meio Ambiente vai estar unido a um ministério que não é o coração das suas atividades. Isso é preocupante do ponto de vista de gestão pública.

sUELY ARAÚJO

Presidente do Ibama

CEDENIR FORTUNATTI

Enólogo do ano

O enólogo Cedenir Fortunatti, da Fante Bebidas, cresceu em meio aos parreirais, em Flores da Cunha. Profissionalizou-se, acumulou experiência e foi eleito Enólogo do Ano, pela Associação Brasileira de Enologia.

As pessoas hoje conhecem vinho?

Com a globalização, o Brasil foi bombardeado por vinhos estrangeiros. Isso de certa forma prejudicou a indústria nacional, mas fez o consumidor ter variedade. Consequentemente, começa a conhecer, apreciar. Creio que aprendeu e está aprendendo.

Qual é tipo preferido do brasileiro?

O brasileiro gosta do vinho com sabor de uva, bem aromático e adocicado. Tem um público muito fiel que consome esses produtos, os vinhos de mesa.

O comprador valoriza o produto nacional ou a escolha ainda reflete preço?

Há uma preferência grande por importados. Ao contrário de Itália e França, onde são muito bairristas e vestem a camisa do seu vinho, o brasileiro não tem esse hábito. Mesmo quando há valores similares, tende a escolher o importado. Mas sim, tem gente reconhecendo o produto nacional.

E qual o papel do enólogo?

Buscar meios e tecnologias para orientar produtores a ter a matéria-prima desejada. E, na vinícola, para itens cada vez melhores. Entender o que o mercado quer, para ser sensível em produto, faixa de preço, custo.

Quais as dicas para escolha da bebida?

O mundo do vinho ficou por muito tempo glamourizando e complicando o consumo. Vamos descomplicar. O melhor vinho é o que lhe agrada. Se quiser mais gelado, beba. Com pedra de gelo, sem problema. Precisamos descomplicar, para atingir o maior número de pessoas possível.

gisele.loeblein@zerohora.com.br

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora