CAMPO ABERTO – Agora é navegar nas águas da justiça

A draga que trabalha na limpeza do canal de acesso do porto do Rio Grande não tinha sequer "esfriado" quando a Secretaria Nacional dos Portos, contrariando medida adotada pela superintendência, determinou a retomada dos trabalhos. Em intervalo de apenas três dias, foi feita a recomendação para suspensão da dragagem por parte do Ministério Público Federal (MPF), acatada a sugestão e depois reiniciados os trabalhos. A questão foi parar na Justiça, com pedido de liminar feito pela Procuradoria da República de Rio Grande para que a obra seja paralisada.

E esse cenário está longe de ser o ideal. Porque todo embate judicial demora e desgasta. O bom senso certamente seria o melhor caminho a ser trilhado.

O problema existe, isso é fato. A lama apareceu na praia do Cassino. E é preciso aprofundar as análises para que se tenha maior clareza do que está – e do que não está – causando esse efeito. Como pondera a nota técnica feita pelo Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira, esse efeito pode ser em razão de transporte natural de sedimentos da bacia da Lagoa dos Patos, atividade da dragagem em si somada à movimentação de navios no canal de acesso ao porto, deslocamento de sedimentos do sítio de despejo ou ainda uma combinação de dois ou mais desses fatores. Ou seja, pode ou não ter relação com a dragagem. A proposta do MPF era de que se aguardasse a apuração para dar continuidade à obra. Um pedido que, de tão razoável, foi acatado pela superintendência.

Por outro lado, a preocupação do setor produtivo faz igualmente sentido. A limpeza se faz necessária para garantir a navegabilidade. Em mais de uma ocasião, embarcações carregadas com grãos não puderam sair devido ao assoreamento do canal de passagem. E isso tem custo imediato e no longo prazo, pelo prejuízo à competitividade do Estado.

Desde 2015, o contrato para a obra teve idas e vindas. E mesmo depois de todo esse tempo, a autorização para a dragagem se mostra frágil. Não se trata de medir forças, mas sim, de fazer o que é necessário sem comprometer a execução ou o ambiente. Os próximos capítulos, infelizmente, serão nos tribunais.

No radar

As chamadas assimetrias do Mercosul voltarão a estar em discussão amanhã, em reunião em Brasília. O encontro foi organizado pelo deputado e senador eleito Luis Carlos Heinze (PP) e terá a presença de nomes do futuro governo. Uma das presenças esperadas é a da futura ministra da Agricultura, Tereza Cristina.

MAIS SUSPEITAS

A confirmação em laudos oficiais da Secretaria da Agricultura de resíduos do herbicida 2,4-D em parreirais de uvas e pomares de oliveiras na Campanha, Fronteira e Centro fez surgir mais suspeitas em outras regiões do Rio Grande do Sul.

Em Sarandi, no Norte, produtores de uvas identificaram sinais de atrofia nas plantas.

– Os sintomas em parreirais são idênticos aos vistos nos locais afetados pela deriva – relata Helio Marchioro, conselheiro do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

A entidade está na expectativa de audiência nesta semana com o Ministério Público (MP), que está em fase final de conclusão de inquérito, aberto ainda em 2015.

Ruído na linha com a FETAG

Depois de ouvir do governador eleito Eduardo Leite (PSDB) que a lógica seria a da manutenção da Secretaria do Desenvolvimento Rural (SDR), a Federação do Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS) se mostra preocupada com a informação de que a pasta deve ser unida à da Secretaria da Agricultura. Em nota, a entidade reiterou "a importância da manutenção da SDR para que a agricultura familiar tenha um olhar diferenciado e a atenção necessária para continuar gerando renda e nivelando o PIB do Estado".

Entrevista

ROGÉRIO KERBER

Presidente do Fundesa

"RS não pode ficar isolado"

O Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária reelegeu Rogério Kerber para a presidência, cargo que ocupa desde 2005. Confira trechos de entrevista dele à coluna.

Qual a posição sobre a retirada da vacina contra aftosa?

Esse assunto vem sendo tratado há cerca de 10 anos. E o Fundesa, quando foi constituído, estabeleceu como meta desenvolver ações voltadas a mudar o status sanitário. Os setores de produção têm esse desejo. Evidentemente, todos têm cuidado e exigem as condições necessárias para se dar esse passo.

A decisão do Paraná criou pressão sobre o RS?

Como o Paraná deixará de vacinar, o Rio Grande do Sul não tem condições de ficar isolado. O Estado solicitou auditoria, que aprofundará outra vistoria feita. O serviço de defesa sanitária continua trabalhando, investimentos estão sendo feitos para criar as melhores condições possíveis para que a avaliação seja positiva e tenhamos segurança de tomar a decisão.

Pecuaristas ponderam que o ônus fica todo com eles…

Quando houve a suspensão da vacina e ocorreram focos da doença, os maiores prejudicados foram os suinocultores, que deixaram de exportar. Da mesma forma que o pecuarista, o suinocultor busca segurança.

gisele.loeblein@zerohora.com.br gauchazh.com/giseleloeblein 3218-4709

GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora

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