CAMPO ABERTO – Acordo de Paris na rota do agronegócio

A possibilidade de o Brasil seguir os passos dos Estados Unidos e sair do Acordo de Paris, aventada na época pelo então candidato Jair Bolsonaro causou polêmica. Poucos dias antes da votação do segundo turno que o elegeu presidente, no entanto, afirmou que não tomaria tal medida, embora tenha criticado o documento.

A menos de um mês da 24ª Conferência das Partes Sobre Mudanças Climáticas, que ocorre na Polônia, o assunto volta à tona. Nesta quinta-feira, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizará workshop em Brasília com o objetivo de centralizar propostas do setor para que os negociadores brasileiros levem ao encontro. O evento é focado em entidades representativas e produtores, justamente para que se possa apresentar um posicionamento do agronegócio.

– Queremos que o produtor se sinta representado na negociação, com o reconhecimento dos esforços empreendidos no alcance das metas para redução da emissão de gases de efeito estufa – pondera Nelson Ananias Filho, coordenador de Sustentabilidade da CNA.

Um dos pontos que deverá ser discutido é a compensação financeira a ser feita aos países – incluído o Brasil – que fazem investimentos para ter produção mais sustentável. Ananias Filho pondera que há expectativa de reconhecimento do mundo quanto aos investimentos feitos no agro:

– É preciso deixar claro que nosso produto é mais sustentável.

Outro argumento usado para que o Brasil se mantenha dentro do que prevê o documento assinado na França em 2015 é o trabalho para atingir a meta de reduzir em 37% as emissões até 2025, em relação a 2005. Questões como essas deverão se tornar barreiras comerciais.

– É algo colocado fortemente, principalmente pela União Europeia. Para o Brasil ir atrás de novas parcerias comerciais, que permitam melhor entrada do nosso produto em mercados globais, em vários casos, provavelmente será necessária a permanência no tratado – observa João Paulo Botelho, especialista de mercado da INTL FCStone consultoria.

O Brasil tem tudo a seu favor: a intensidade de carbono no país é 44% abaixo da média global e mais de 60% abaixo de China e México. No campo, o plantio direto e o cumprimento de legislação ambiental também são apontados como ativos importantes.

no radar

O Senar-RS dá a largada amanhã nas ações para conscientização da saúde do homem, dentro do Novembro Azul. No primeiro dia, a palestra será em Palmeira das Missões. No dia 22, será em Três de Maio (manhã) e Alegria (tarde). Também foi elaborada cartilha de bolso com orientações sobre higiene, prevenção, exames e tratamentos de problemas masculinos.

PLANTANDO O FUTURO

É de Restinga Seca, na região central do Rio Grande do Sul, que empresário vê florescer a perspectiva de ganhos futuros em área cultivada com mogno africano em Roraima, no norte do Brasil. Cremilson Bisognin, 39 anos, é um dos investidores que compraram a ideia da startup Radix.

A empresa foi criada em 2015 por Gilberto Derze e Thiago Campos. Os sócios despertaram para o potencial das florestas a partir da observação feita por paisagista contratada por Derze. Ela olhou para uma espécie de mogno no jardim e disse: isso é a tua aposentadoria (era referência à valorização do produto).

O psicólogo de formação e empreendedor por natureza foi pesquisar e viu que havia de fato novo modelo de negócio. Os primeiros 10 hectares foram plantados em Unaí (MG). E as ofertas do investimento coletivo feitas. Na segunda oferta, em 2017, a área de cultivo migrou para Roraima, com 20 hectares. E fisgou 104 investidores, 48 deles com a cota mínima, de R$ 500. O terceiro lote está aberto, com mais 20 hectares plantados (os negócios são pela plataforma kria.vc).

– Os dividendos são pagos no desbaste e no fim do ciclo (de 16 anos a 20 anos) – explica Derze.

Somada à possibilidade de fazer o dinheiro render, outro fator atraiu Bisognin para o negócio:

– A preservação da natureza.

Mercado necessário

A comitiva brasileira, chefiada pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que realiza missão na China reforçou a importância de manter um canal direto com o país asiático.

– Chegarmos com nossos produtos neste mercado é de vital importância – disse Gedeão Pereira, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e coordenador de Relações Internacionais da CNA.

Ontem, a delegação participou de atividades que incluíram seminário sobre como fazer negócios e acessar o mercado chinês. A superintendente de Relações Internacionais, Lígia Dutra, e Gedeão participaram da abertura oficial da China International Expo.

Marfrig volta a abater em Bagé

O frigorífico da Marfrig de bovinos de Bagé, na Campanha, voltou a operar ontem. A unidade havia tido as atividades interditadas no dia 19 de outubro, após realização de nova etapa de força-tarefa, coordenada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), que fiscaliza as condições de trabalho nas indústrias de proteína animal.

Foi feita vistoria e a empresa pôde retomar os abates com a concessão de prazos para que sejam resolvidas questões ainda pendentes. As irregularidades detectadas pelo MPT incluíam diferentes setores.

A retomada da operação era aguardada por pecuaristas, uma vez que a média de abate no frigorífico é de 770 cabeças por dia. Presidente do Sindicato Rural de Bagé, Rodrigo Moglia diz que, sem a unidade funcionando, houve pressão negativa sobre os preços do gado.

GISELE LOEBLEIN

Com Letícia Paludo leticia.paludo@zerohora.com.br 3218-4715

Fonte : Zero Hora