CAMPO ABERTO – A TABELA DE FRETE COBRA O SEU PREÇO

Enquanto nova proposta não é apresentada e o Supremo Tribunal Federal não avalia as ações de inconstitucionalidade audiência pública está marcada para o próximo dia 23 , o agronegócio segue pagando a fatura da tabela de fretes instituída por medida provisória no mês de junho. E ela não é nada barata, argumentam entidades, com base em números.

Ontem, a Federação da Agricultura do Estado (Farsul) apresentou o relatório das exportações gaúchas do setor em julho. Pelo segundo mês consecutivo, registram-se quedas nos embarques. A razão, afirma o economista-chefe Antônio da Luz, é o tabelamento que "diminui a liquidez". Na comparação com julho de 2017, a soja em grão teve recuo de 25,5% no volume embarcado. Ante junho, caiu 8,18%.

– Pela primeira vez, tivemos exportação de arroz menor do que tínhamos exportado no mesmo mês do ano anterior – completa Luz.

A medida também traz efeitos nocivos dentro de casa. Em seminário de Economia Agrícola do Ipea, José Ronaldo de Castro Souza Júnior, diretor de Estudos e Políticas Macroeconômicas, afirmou que o tabelamento deve resultar em mais custos para o setor agropecuário, podendo impactar a inflação.

Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Bartolomeu Braz afirma que feijão e óleo de cozinha tiveram alta expressiva, mas pondera:

– O óleo não está mais caro porque a soja está mais cara e, sim, por causa do tabelamento de fretes, que segue causando impactos à população brasileira.

Segundo a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais, o tabelamento gerou alta de cerca de US$ 2,36 bilhões nos custos logísticos para a exportação de grãos e paralisou a negociação dos contratos de grãos para a safra 2018/2019. O assunto pautou reunião com a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA).

Para Luz, além dos prejuízos evidenciados, a indefinição tem outro aspecto negativo:

– Diante desse cenário, empresas estão adquirindo frotas de caminhões. O pessoal vai botar dinheiro em algo que não é seu negócio. Para quem quer competir globalmente, isso é um desastre.

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GISELE LOEBLEIN

Fonte : Zero Hora